Fazer com que a atriz Arianne Botelho abra o sorrisão não é uma tarefa difícil. “Eu dou risada de graça!”, diz a paulistana de 27 anos, que estreia na quinta-feira (3) em uma comédia.
Trata-se de “Tudo Bem no Natal que Vem”, longa-metragem da Netflix, que, segundo ela, vai fazer o público de casa rolar de rir e refletir sobre a vida.
“A mensagem do filme é que temos de aproveitar mais as pequenas coisas da vida e as relações familiares. Muitas vezes, a gente acaba deixando de lado pela correria do dia a dia”, explica a jovem, que estreou na TV na minissérie “Amorteamo” (2015) e atuou na novela “A Lei do Amor” (2016).
Na comédia, ela interpreta a Aninha, filha do rabugento Jorge (Leandro Hassum). Não bastasse odiar o Natal, ele faz aniversário no mesmo dia. Para piorar, Jorge sofre um acidente na véspera da data.
Ao acordar, ele percebe que está no dia 24 de dezembro do ano seguinte. No outro dia, acontece a mesma coisa e mais um ano se passou. No terceiro dia, rola a mesma angústia, e assim por diante.
É por isso que Arianne bate na tecla de que é preciso aproveitar o tempo. “E gastá-lo com quem amamos. Valorizar as relações que realmente são valiosas”, defende a atriz, que, para participar do filme, precisou raspar a cabeça.
Os curiosos para saber o porquê da transformação de Arianne vão precisar assistir ao filme para descobrir. Mas ela contou ao AT2 sobre os receios que teve com o novo visual.
“A primeira coisa que eu tive medo foi de como eu iria ficar careca. Só que, depois, comecei a entrar no universo da personagem. Depois que raspei a cabeça, senti uma força absurda!”, garante a jovem.
“Fiquei muito bem comigo, foi um processo de me ver de verdade como eu sou e perceber que não sou o meu cabelo! Isso é libertador! Assim como qualquer outra coisa de ordem estética. Nós somos muito mais do que o externo ou o nosso corpo físico”.
“Raspar a cabeça me amadureceu”
AT2 “Tudo Bem no Natal que Vem”, que estreia na quinta (3) na Netflix, é o seu primeiro longa-metragem. O que achou da experiência?
Arianne botelho É diferente de tudo o que fiz até hoje! Eu nunca tinha rodado um longa. A dinâmica é diferente de novelas e um pouco parecida com séries. Sobre a personagem, a Aninha, com certeza, é diferente de todas que já interpretei.
Qual foi a primeira reação ao ler o roteiro e descobrir a personagem? Houve uma identificação?
Rolou um pouco pela força dela, que eu identifico em mim. A estrutura familiar dela também é parecida com a minha.
Qual o significado do Natal para você?
Eu gosto muito do Natal. Do clima, do fim de ano, da ceia. Sempre me sinto acolhida e preenchida quando estou na casa da minha avó com a família toda reunida! Natal, para mim, significa amor, reencontro dos familiares e esperança.
Já aconteceu algo engraçado nas comemorações de Natal na sua família, como no filme?
Já tive coisas parecidas. Algumas confusões, pratos que sempre são clássicos de alguém da família levar, presentes que não são tão legais… Mas a gente sempre leva tudo com bom humor!
Há mulheres que raspam a cabeça por praticidade ou ideologia. Muitas relatam mais liberdade após a opção. Aconteceu contigo?
Sim! Eu percebi que eu gastava muito tempo arrumando cabelo! Depois que raspei, eu me arrumava muito rápido! Tudo ficou muito prático! Meu xampu durou uns 7 meses! (Risos)
O que redescobriu enquanto mulher?
Acredito que esse processo de raspar a cabeça me amadureceu muito! Tudo mudou, na real! Tive contato maior com quem eu sou de verdade, minha vulnerabilidade, sensibilidade. Foi como se, com o cabelo raspado, eu tivesse deixado uma parte de mim para trás e tivesse renascido, como uma nova pessoa.
Recentemente, publicou sobre o caso do João Alberto Silveira Freitas. É importante que artistas usem sua influência para se posicionar?
Eu, como artista, me sinto na obrigação de me posicionar. A arte também é um ato político! Nesses tempos em que estamos vivendo, não dá para não se posicionar. Não dá para fechar os olhos diante do racismo, do machismo, da homofobia, do desmatamento das nossas florestas… O “não se posicionar” já é um posicionamento.
De onde veio esse seu senso de justiça?
Isso existe na minha família, mas eu sinto que é algo que nasceu comigo também. Me tira do sério ver qualquer tipo de injustiça acontecendo. Me dá uma sensação muito ruim. Eu sei que não dá para resolver todos os problemas do mundo de uma só vez, mas ver alguém sendo injustiçado me tira do eixo. O que eu puder fazer para que essas coisas não aconteçam, eu farei!
O que espera do seu futuro e do mundo? É uma pessoa otimista?
Eu estou trabalhando em mim para ficar sempre otimista. Em relação ao mundo, as coisas estão complicadas, mas eu tenho esperança de que tudo mude para melhor. Na minha vida pessoal, idem.
Espero que coisas boas aconteçam, que essa vacina saia logo, que as coisas voltem ao normal, que a gente volte a trabalhar normalmente, abraçar e beijar as pessoas que ama… Eu sempre procuro me manter otimista.

