
Bastou aparecer em seu primeiro trabalho, “Flor do Caribe”, de 2013, atualmente em reexibição. Ele não se importou com o fato na época e, hoje, aos 37 anos e ainda belo, diz que beleza não ajuda tanto quanto se possa imaginar.
“Pode ajudar e pode atrapalhar. Nada é 100%. Ao mesmo tempo que pode te colocar num personagem legal por causa de um perfil, ela também faz as pessoas duvidarem de sua capacidade. E aí você precisa se esforçar muito mais para provar o seu valor”, conta ele na conversa com o AT2.
E os tais suspiros? E as cantadas que ele ainda recebe, especialmente em suas redes sociais? “Sendo bem sincero, eu não sou muito atento”, começa ele, aos risos. E então completa: “Recebo muitas mensagens no Instagram, que são mais ousadas. No dia a dia, nem tanto. Lido bem. Não é algo que mexe com a minha vaidade, com quem eu sou. Tenho meu propósito de vida bem definido”.
E esse propósito passa pela carreira, claro, mas também pelo relacionamento com a esposa desde 2015, Aline Wirley, ex-banda Rouge, e o filho, Antônio, atualmente com 6 anos.
“Eu não sou mais tão ingênuo”, Igor Rickli, ator
AT2: Como você vê esse tempo entre a estreia de “A Flor do Caribe” e hoje?
Igor Rickli: Hoje eu estou num outro lugar, numa outra posição. Ali em “Flor do Caribe”, eu estava fazendo minha estreia em novelas. Tudo era novo para mim! Aquela novela foi praticamente uma escola, um intensivão. E foi um processo duro, mas muito significativo. Aprendi demais. Hoje, sete anos depois, estou fazendo minha sétima novela. Já entendo a indústria, todo o processo. E isso é bom, porque eu não sou mais tão ingênuo como na minha estreia. (Risos)
AT2: Você gosta de ver cenas antigas suas?
Igor Rickli: Não tenho problemas de rever cenas antigas, não. Mas eu não vivo de passado. Exercito cada vez mais viver o presente. Foi um trabalho muito legal, ele me projetou e sei que eu me doei 100% para ele. Hoje, claro, faria coisas diferentes. Mas não é algo que me incomode.
AT2: O que você faria diferente se fizesse o Alberto hoje?
Igor Rickli: Eu fui ajustando o Alberto com a trama no ar. Hoje eu já teria o desenho dele melhor desde o início. Coisas que têm a ver com a linguagem mesmo da TV, que eu não estava acostumado. Mas eu adoro a loucura do Alberto. Eu me divertiria muito mais fazendo ele hoje, com certeza.
AT2: Foi elogiado e criticado em seu primeiro papel. Como foi lidar com as críticas? E como vê tudo isso hoje?
Igor Rickli: Vejo como um processo normal de quem tem um trabalho de grande exposição. Mas não acredito em verdades absolutas, nem mesmo as elogiosas. (Risos) Eu gosto de diálogo, de falas construtivas. Para isso, eu estou sempre aberto.

Igor Rickli: Não temos segredo. Vivemos o dia a dia, com as coisas boas e as coisas ruins. E sempre prezamos pelo diálogo, pelo respeito. Tem sido assim desde sempre e vem funcionando. Somos muito parecidos e, nossas diferenças, elas nos complementam.
AT2: É amor para a vida inteira? Acredita nisso? É romântico?
Igor Rickli: Eu acredito que nosso elo é para a vida toda. E isso é independentemente de sermos um casal, entende? Temos um encontro único de parceria, de companheirismo.
Mas a verdade é que nós nos amamos e é maravilhosa a nossa troca. E fazemos o possível e o impossível para estarmos juntos. Eu tenho fases românticas, posso dizer assim. (Risos)
AT2: Quem é mais ciumento: você ou a sua mulher?
Igor Rickli: Acho que sou eu. (Risos)
AT2: Como é o Igor pai? Qual é a sua maior preocupação com o Antônio?
Igor Rickli: É um homem preocupado em passar virtudes para o seu filho. Eu me preocupo bastante em preparar o Antônio para esse mundo que nós vivemos. E, sendo honesto, não é um mundo fácil. Ele é filho de um pai branco e uma mãe negra. Quero que ele saiba a sua origem e tenha orgulho dela. Quero que ele tenha consciência dos privilégios dele. E que entenda que, mesmo assim, ele enfrentará momentos difíceis. Mas eu e Aline sempre estaremos por perto!
AT2: Você se considera um homem realizado?
Igor Rickli: Acho que a palavra “realizado” é muito forte. Tenho 37 anos e tanto ainda para realizar. Eu sou feliz com tudo o que tenho. Construí uma família que eu amo, uma carreira da qual eu tenho orgulho das minhas escolhas… Mas eu quero fazer muita coisa ainda para poder dizer que sou um homem realizado. Agora, por exemplo, estou com vontade de trabalhar mais o meu lado comunicador na TV. E quero realizar esse desejo.
AT2: Você vai interpretar Lúcifer em seu novo trabalho. Gosta de viver caras malvados?
Igor Rickli: Adoro! Adoro os vilões. Gosto de atiçar o público, de mexer com os ânimos do telespectador. São personagens que te permitem transgredir. Você tem uma liberdade para pirar em cena e isso é muito gostoso.
AT2: Todos têm sombras e luz? O que busca equilibrar em você?
Igor Rickli: Sim, todos nós temos sombras e luz. E o que fazemos é deixar a balança mais voltada para a luz. E isso é um exercício diário. É claro que tem dias que não estamos tão legais e ok. Mas, no geral, temos que criar uma vida boa para nós, mesmo diante das dificuldades. Não sei se vejo como um equilíbrio sombra e luz. Acho que a luz precisa prevalecer.