O governo de João Doria (PSDB) passará por prova de fogo na Assembleia Legislativa de São Paulo em 2021, ano em que está prevista a instalação de quatro Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) propostas pelo PT. Duas tratarão de temas sensíveis aos tucanos.
Uma é a da Dersa, estatal paulista de rodovias repleta de suspeitas de irregularidades ligadas a governos do PSDB. Outra, a de benefícios fiscais que o governo concedeu na última década, frequentemente questionados pelo Tribunal de Contas de São Paulo (TC-SP).

Neste final de 2020, Doria já enfrentou desgaste após viajar para Miami antes do Natal, depois de endurecer as regras de isolamento em São Paulo devido ao avanço da Covid-19. Após seu vice, Rodrigo Garcia, contrair a doença, ele decidiu suspender as férias, retornar ao estado e pedir desculpas.
A última CPI de petistas foi concluída em março de 2015 e não era direcionada ao governo —tratava de trotes nas universidades.
Na mesma época ainda estava prevista a instalação de outra CPI, também proposta pelo PT, sobre suspeitas de irregularidades na Fundação para o Desenvolvimento da Educação. Mas as reuniões não tiveram quórum suficiente, e a comissão foi encerrada sem nem sequer eleger o presidente.
Segundo o regimento da Assembleia, as CPIs são instauradas na ordem em que forem protocoladas, e só cinco podem funcionar ao mesmo tempo —pode haver uma sexta, se aprovada em plenário.
Cinco CPIs no Legislativo paulista se encerraram no início de dezembro, e as próximas cinco da fila devem ser instaladas no início do ano. ?As duas com potencial para desgastar Doria foram requeridas por Beth Sahão (PT), hoje sem mandato, na suplência.
O partido, no entanto, afirma que os requerimentos estão mantidos e que as CPIs acontecerão.