
É o caso das faixas “Oi, Fake”, “O Netflix Tá Pago” e “Me Bloqueia”. Todas têm ligação com o mundo virtual e referências a expressões daqueles que estão ativos e com as antenas sempre ligadas nas redes sociais. “Eu sou muito conectado ao Instagram”, explica ele.
Mas não para por aí. São nessas interações com os seguidores que Ismail também busca material para suas composições. Por lá, ele ouve histórias diversas de quem o segue.
“Uma música, para tocar o coração de quem a ouve, tem que tocar o seu coração. Tento narrar histórias cotidianas que as pessoas vão se identificar”, justifica o cantor, que tem mais de 300 composições, sendo 28 delas já gravadas.
A mais recente das faixas se chama “Saudade”, que chegou até ganhar clipe, fala sobre o momento da pandemia do novo coronavírus. “Eu não tinha como não lançar uma música sobre o assunto sem que ela fosse sentimental”, diz ele, que começa a traçar planos para quando a vacina voltar e ter a oportunidade de se encontrar novamente com o público.
“Não tenho previsão de lançar algo enquanto a questão da Covid-19 não for resolvida. Mas estou escrevendo muitas músicas neste período. Quero fazer músicas bem dançantes, com axé e pagodão da Bahia”, promete ele.
Entrevista – Ismail Gonçalves cantor e compositor: “Quero fugir da sofrência”
AT2 – Tem 32 anos e começou a carreira há apenas 2. Sempre se envolveu com música ou é algo recente?

Mais tarde, na adolescência, tive bandas de rock. Só que acabou não indo para frente. Eu gostava muito, e ainda gosto, de rock.
Você faz um sertanejo que tem diversas referências musicais. Como define seu trabalho?
Acredito que o artista tem que criar um estilo próprio. Essa é a minha intenção: trazer uma coisa com a minha cara. E eu tento misturar estilos para não ficar igual ao que todo mundo está fazendo.
Uma parte das suas composições nasce de relatos de seus seguidores.
Gosto muito de histórias, e as minhas músicas narram elas. Algumas pessoas até contam que viveram histórias e dizem que eu poderia escrever uma música. Hoje em dia, tem muita gente fazendo sofrência. Quero fugir da sofrência. Estou tentando fazer músicas mais animadas.
Qual motivo você acredita que leva o brasileiro a gostar tanto da sofrência?
O brasileiro é muito sofredor. Parece que a gente gosta de sofrer. Mas é gostoso ouvir uma música que toca o coração. Quem nunca teve um problema de sofrimento? Quem nunca foi traído?
E, também, como hoje está difícil de se relacionar, as pessoas se identificam. Por outro lado, acho que as coisas estão muito fáceis. O sexo está fácil. Tem aplicativo de relacionamento, tem balada em todo lugar. Mas o amor está meio escasso. As pessoas estão buscando mais o prazer e esquecendo do amor.
Você é um cara romântico?
Sou romântico com safadeza. Não adianta ser muito romântico hoje em dia, porque as mulheres acham meloso. Tem que misturar um pouco. Todo mundo gosta de ser cortejado, mas acho que tudo tem um limite.
Leva essas visões para as músicas que grava também?
Tenho uma música que se chama “Desconta na Minha Boca”. Fala sobre um casal que vive brigando e a mulher descobriu um jeito de acabar com essa briga. Nela, eu canto: “A briga no quarto termina sempre no colchão”.
Disse que quer fazer canções animadas. Misturar ritmos é uma maneira de você ampliar o número de pessoas que te ouve e não ficar restrito apenas ao sertanejo?
Sou um cara bem eclético. Por exemplo, em um churrasco, eu acho que a música ideal para se ouvir é o pagode, e não o rock.
A intenção é, sim, misturar estilos e também atingir todos os públicos ao mesmo tempo. Como gosto de todos os estilos musicais, , busco pessoas que gostam. O meu objetivo de carreira é atingir um público maior, mais eclético. É de estar presente em vários momentos da vida das pessoas.