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Mudanças sociais também aceleram o sofrimento humano

Mudanças nos contextos sociais, políticos, culturais e econômicos, ocorridas no mundo desde o século XIX e que se fortaleceram durante o século ...

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Mudanças nos contextos sociais, políticos, culturais e econômicos, ocorridas no mundo desde o século XIX e que se fortaleceram durante o século passado, trouxeram transformações relevantes para a vida em sociedade.

A ascensão do sistema capitalista propiciou relações conflituosas entre capitalistas e trabalhadores, surgindo movimentos que buscavam soluções para problemas enfrentados pelos operários, principalmente o desemprego, motivado pela substituição de força de trabalho humana, por máquinas.

Reivindicavam, então, o retorno dos trabalhadores desempregados para as indústrias, bem como melhores condições de trabalho, além do fim da exploração capitalista.

Segundo Karl Marx, as condições econômicas e as lutas entre as classes são as principais causas das mudanças sociais, decorrendo na transformação da sociedade e seu modo de organização, dando lugar a novos hábitos e costumes.

À medida em que a sociedade se transformava através da evolução dos meios de transporte e tecnológicos, os direitos femininos conquistados pelas mulheres sobre a permissão para votar, além da inserção no mercado de trabalho, ganhavam espaço numa sociedade de caráter patriarcal.

Os modelos de família foram adquirindo novos formatos. A família nuclear, pai e mãe, deu lugar à família monoparental, composta por apenas um dos pais.

O estudioso do sistema de saúde Eugênio Vilaça Mendes vai dizer que toda grande transformação social desafia bases que sustentam uma determinada realidade, acarretando em situações de esgotamento.

Essas situações acabam por influenciar na saúde física e mental da sociedade. O indivíduo não é o único responsável pela sua condição física e seu adoecer, ausência de saúde, está relacionado também às condições de moradia, saneamento, desemprego, contexto familiar, entre outros.

Para melhor compreensão das condições de saúde, é imprescindível que o sujeito seja visto em sua totalidade.

Transformações sociais podem corroborar no sofrimento humano. Pressões culturais exercidas pela sociedade determinam padrões sociais. Aquele que não se enquadra não é bem aceito. Paradigmas sob a ótica do preconceito e da exclusão social, além da valorização do ter, ao contrário do ser, ainda não foram rompidos.

O meio social interfere na organização mental, formação da personalidade e condição psicológica. Embora os sujeitos em sofrimento façam parte de determinados grupos de convivência familiar e comunitária, eles podem não se sentir pertencentes ou não acompanhar o “ritmo” considerado “normal” para seu funcionamento.

Os transtornos mentais, tais como ansiedade, depressão, esquizofrenia e transtornos alimentares estão cada vez mais presentes na sociedade.

Segundo o caderno de saúde pública (Scielo), a experiência do sofrimento psíquico é construída socialmente e traz em si a conformação de valores e normas de uma determinada sociedade.

A vivência de conjunto de mal-estares no âmbito subjetivo expressa regularidades que são moldadas por uma dada configuração social. Conclui-se que os sintomas psíquicos estão cada vez mais relacionados aos padrões impostos socialmente, sendo necessária a prática da valorização nas relações humanas, respeitando diferenças e particularidades de cada ser.

Libna Ferreira Fraga é psicóloga social.

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