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O Sisu e as mudanças previstas para a seleção de 2019

O aluno continua tendo diversas opções: pode se candidatar a dois cursos diferentes em duas instituições diferentes; pode disputar vaga em dois ...

Última atualização

O aluno continua tendo diversas opções: pode se candidatar a dois cursos diferentes em duas instituições diferentes; pode disputar vaga em dois cursos distintos em uma mesma instituição; pode tentar ingressar no mesmo curso em duas diferentes instituições…

A mudança, de fato, está relacionada à lista de espera. O candidato não convocado na chamada regular poderá manifestar interesse na lista de espera, dentro do prazo estabelecido, por uma vaga na sua primeira ou na sua segunda opção de curso.

Antes, obrigatoriamente, quem se inscrevia na lista de espera só poderia pleitear vaga no curso definido desde o início como primeira opção. A alteração mais importante, entretanto, é que o candidato convocado na chamada regular em uma das duas opções não poderá mais participar da lista de espera.

Até 2018, era possível fazer a matrícula na segunda opção, caso fosse convocado para ela, e continuar disputando, na lista de espera, uma vaga na primeira opção de curso. Agora, se o aluno for chamado para a segunda opção, é nela que ele vai estudar.

Isso é muito positivo, pois, anteriormente, um aluno que pretendia fazer um curso X se inscrevia em um curso Y como segunda opção, somente para garantir a entrada na faculdade. Após ser selecionado, terminava o primeiro ou o segundo semestre, abandonava o curso e voltava a participar do Sisu, para tentar novamente uma vaga na sua primeira opção de curso. Com isso, a vaga abandonada ficava ociosa.

Toda mudança que contribui para o aperfeiçoamento do Sisu é bem-vinda, pois esse sistema ajudou a democratizar o acesso ao ensino superior no País. Antes dele, o custo para ingresso em uma universidade pública era muito alto, a começar pelo vestibular. Conseguia ampliar as chances de aprovação e, consequentemente, tinha mais condições de fazer uma graduação quem detivesse maior poder aquisitivo para se inscrever em diversos processos seletivos Brasil afora.

Isso porque cada vestibular tinha uma taxa de inscrição, e as provas eram aplicadas, normalmente, na universidade onde se pretendia estudar. Cada fase durava até três dias, o que fazia com que pessoas mais carentes do interior não tivessem condições de deslocamento e hospedagem nas cidades.

Hoje, com a prova do Enem, o estudante não precisa se deslocar para prestar vestibular. Quando se muda para os grandes centros, é porque já tem a vaga no ensino superior garantida.

Além disso, o Sisu impactou na forma de ensinar e de aprender. Hoje, ensinamos a partir de competências e habilidades, em vez de perdermos tempo com conteúdos que não faziam, muitas vezes, sentido nem para o aluno, nem para o professor. Seguimos a matriz oficial do Inep.

Na época dos vestibulares específicos, cada prova tinha seus editais, o que fazia o aluno ter que aprender praticamente todo o conteúdo dos livros didáticos. As expectativas para o futuro do Sisu são as melhores possíveis. Ele veio para ficar. Precisa de ajustes, é claro, que serão feitos com o amadurecimento do sistema.

Guilherme Vargas é professor de Química

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