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Claudia Matarazzo

Vamos falar sobre segurança psicológica?

Sim. Você leu certo – e se prepare que hoje estou irritada – quem nunca? O mundo anda muito chato: cheio de mimimi (para usar gírias em voga), mas ...

Última atualização

Sim. Você leu certo – e se prepare que hoje estou irritada – quem nunca? O mundo anda muito chato: cheio de mimimi (para usar gírias em voga), mas completamente sem respeito.

Cito como um dos exemplos a maneira como demitiram Ronnie Von (sim, pois, demitir e comunicar que não precisa vir mais, depois de 15 anos dando Ibope diariamente em uma emissora, sem avisar é exatamente a mesma coisa…

Aí temos um Presidente boquirroto que vive querendo tomar conta do que as criancinhas possam apreender (e não aprender) de ideologia na escola, mas não tem o menor pudor em usar pejorativamente o termo “Paraíba” para se referir a nordestinos – que, aliás, fazem parte da maioria do contingente tanto de trabalhadores que construíram Brasília, assim como de seus ex-colegas no Congresso.

Aí faltou com o respeito completamente. Aliás, como tem feito sistematicamente com presidentes de instituições (Inpe), ministros e até alguns generais, chamando um deles de “melancia” – novamente de forma pejorativa.

Onde quero chegar? No fato de que nosso dia a dia ficou chato e está parecendo perigoso viver.
Temos gente querendo legislar detalhes íntimos de convivência, mas, na real, (e começando pelo Presidente), o desrespeito é enorme e está se perdendo a noção até do conceito.

Outro exemplo: hoje, muito se fala nas empresas de gestão e produtividade, certo? Mas é imprescindível que essas proporcionem um ambiente saudável e vantajoso para seus funcionários.

De modo que, além da segurança física (para a qual há brigadas e treinamentos), por que não promover a chamada segurança psicológica, permitindo que os funcionários possam propor ideias e se arriscar, sem medo de julgamentos, punições e com reconhecimento.

Seria uma forma de fazer com que eles realmente se sintam parte de uma equipe. Isso facilitaria e traria rapidez nas realizações de atividades, pois, assim, os chefes saberiam exatamente em que área cada membro da equipe é melhor e quem precisa de mais desenvolvimento.

Aumentaria, assim, a médio prazo, a produtividade. As empresas de tecnologia são as que mais aderiram a essa ideia, pois precisam inovar constantemente e, para inovar, precisam correr o risco de errar e serem capazes de aprender com os erros – seus e dos outros.

Ora, muitas vezes, uma ideia parece “estúpida” ou “sem noção”, mas se tivesse sido barrada de cara, não teríamos muito do que temos hoje.

É isso que as empresas (e certamente nosso governo, mas esse é caso perdido) precisam entender.

Funcionários precisam ser ouvidos sem medo de serem ridicularizados.

Muitas pessoas são inseguras dentro do ambiente de trabalho, e isso as impede de serem bem-sucedidas no que fazem.

Isso ocorre porque não têm uma segurança nos valores, não sabem onde podem chegar ou como agir – portanto, os líderes têm de direcionar essas questões.

Abaixo, algumas dicas simples que, se implementadas, ajudam a promover a segurança psicológica:
– Mostre-se aberto ao feedback.
– Ofereça feedback.
– Seja mais tolerante aos erros e às diferenças.
– Entenda o impacto do ambiente nas pessoas.
– Não se puna por seus erros.
– Pratique a segurança psicológica consigo mesmo.
– Não replique comportamentos hostis (sim, Presidente, e nem incentive).
– Incentive os outros a se arriscarem.

Pois, como eu disse, viver hoje ficou chato, instável e perigoso… E já que não temos nem exemplo e nem atitudes nas quais nos espelharmos, vindas de cima, urge ainda mais que as incorporemos na vida profissional e pessoal, ou, pelo menos, que possamos sugerir a quem possa fazê-lo.

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