Um documento que norteia os caminhos da nova educação nas escolas brasileiras foi aprovado ano passado. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) traz novos desafios para unidades de ensino de todo o Brasil e está sendo bastante analisada e discutida este ano.
A obrigatoriedade de valorização da alfabetização, o ensino por competências e habilidades e a flexibilização do currículo do ensino médio são algumas mudanças.
Mas, de acordo com os educadores, a primeira mudança tem de acontecer na sala de aula.

O instituto tem parceria com o governo do Estado e trabalha projetos dentro das escolas estaduais com os alunos.
Ricardo ressalta que, hoje, os jovens confundem conhecimento com informação, o que pode trazer desinteresse no ambiente da sala de aula.
“As pessoas acham que, como conseguem encontrar respostas na internet, têm o conhecimento.
Então, é preciso criar um ambiente de estímulo para o jovem, no qual ele se sinta instigado a estar ali. Quando isso não acontece, a aprendizagem fica difícil, mesmo que haja bons professores”, destacou.
O diretor-presidente da Fundação Telefônica Vivo, Americo Mattar, observa que, hoje, as salas de aula ainda são pouco atrativas para o novo aluno da era digital.
“A gente coloca os alunos em modelos que derivam do início do século passado. Todo mundo fica enfileirado para uma aula expositiva, pouco participativa, que obriga as crianças a seguirem o mesmo ritmo. É preciso mudar”.
Professor e pós-doutor em Inovação na Educação em Engenharia e em Educação Digital, Cassiano Zeferino, frisou que a principal dificuldade das escolas é tomar consciência de como os alunos aprendem.
“Quanto mais o aluno interage, mais possibilidade de produção de conhecimento há. Se o professor trabalha desafios com os alunos, a metodologia torna-se ativa”.
Nova formação de professores é urgente, dizem especialistas
O maior desafio da educação hoje é preparar e capacitar o professor para a transformação do modo de ensinar. Essa é a avaliação feita por especialista e gestores em educação.
O diretor-presidente da Fundação Telefônica Vivo, Americo Mattar, frisou que o professor terá de mudar o seu papel dentro de sala. “Os professores entram na sala com o desafio de alfabetizar as crianças sem ter a formação adequada”.
Dar nova formação e requalificar os professores são preocupações do Ministério da Educação.
Durante o 3º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação (Jeduca), o secretário de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Arnaldo Lima, declarou que a formação de professores é um assunto que está sendo discutido pelo governo federal.
“Vamos lançar um programa específico para a formação dos professores nas próximas semanas. O ministro (Abraham Weintraub), desde que assumiu, mostrou a preocupação de trazer cada vez mais talentos para a educação”, disse.
O presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, Pedro Cunha Lima, destacou que a profissão do professor precisa mudar.
“Não há instrumento mais eficiente em resultados educacionais do que o professor. Isso é dito e repetido, mas ignorado por políticas públicas. É preciso ter nova carreira e novo patamar de formação, além de uma progressão salarial. Não podemos deixar isso de lado”.
Ele acredita que o professor está desestimulado e vai, aos poucos, perdendo o brilho de ser uma ferramenta de transformação.
