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O mestre mandou?

A interferência de Jair Bolsonaro em órgãos como a Receita, o Coaf e a Polícia Federal, e a relutância dele em definir o que vai fazer com o projeto ...

Última atualização

A interferência de Jair Bolsonaro em órgãos como a Receita, o Coaf e a Polícia Federal, e a relutância dele em definir o que vai fazer com o projeto que pune o abuso de autoridade abriram caminho a uma onda de contestações sobre os métodos do presidente dentro do PSL.

Em reunião tensa, na terça (20), uma ala do partido se queixou das medidas, avisou que não está suportando as críticas de seguidores nas redes sociais e ameaçou contrariar indicações do governo em votações no Congresso.

Divã – Deputados do partido de Bolsonaro, como Luiz Philipe de Orleans e Bragança (PSL-SP), disseram que não votariam mais com o governo caso discordassem de sua posição e pediram ao líder Delegado Waldir (GO) que sempre reúna a bancada para deliberação interna antes de orientar os votos em plenário.

O lado dele – Em paralelo, deputados do PSL têm dito que, se Bolsonaro dedicasse ao pacote anticrime o mesmo esforço que tem feito para salvar Flavio Bolsonaro (RJ) de acusações no Justiça e para indicar o 03, Eduardo, embaixador nos EUA, o projeto já teria sido aprovado.

Meia palavra basta – O presidente do Supremo, Dias Toffoli, fez uma defesa enfática da preservação das instituições no jantar que teve com a bancada do PSL. Segundo relatos, o ministro disse que os Poderes devem agir em favor do povo –e não criar celeuma.

Meia palavra basta 2 – Vários integrantes do partido de Bolsonaro estimularam –e estimulam– marchas contra o Supremo e o próprio Congresso.

Todos por um? – Cresce no MDB a ideia de construir uma chapa única, encabeçada pelo deputado Baleia Rossi (SP), para presidir o partido. Haverá eleição da nova cúpula em outubro. O atual presidente da legenda, Romero Jucá (RR), é um dos que apoia a ideia.

Quatro ventos – O deputado estadual Campos Machado (PTB-SP) enviou cartas a líderes de bancadas e presidentes de assembleias legislativas de todo o país contra o projeto encampado em São Paulo por Janaina Paschoal que permite à gestante optar pela cesária sem orientação médica.

Quatro ventos 2 – As cartas têm pareceres de especialistas contra a proposta. Machado diz que há um movimento do PSL para tentar exportar o projeto de Janaina para outros estados do país. “Querem criar a indústria da cesárea”, disse.

Miopia – Mesmo debaixo de forte contestação nos três Poderes, a cúpula do fisco enviou um email, no início da semana, com uma lista de exigências a Marcos Cintra. Interlocutores do secretário da Receita interpretaram a carta como uma tentativa do grupo de ganhar poder em meio à crise.

Miopia 2 – Os chefes da Receita querem absorver atribuições que eram do colega João Paulo Fachada, exonerado na segunda (19), e pregam que as áreas de fiscalização e inteligência sejam unificadas. A lista incluiria o compromisso de que Cintra não trocará o comando da Receita no Rio, um pedido de Bolsonaro.

Miopia 3 – A missiva foi enviada pelo subsecretário de Tributação, Luiz Fernando Nunes. Embora tenha tentado evitar tom de motim, dizendo não se tratar de um emparedamento, a mensagem não caiu bem.

Teleguiado – Aliados de Aécio Neves (PSDB-MG) viram a margem larga de vitória do deputado mineiro contra ala que queria expulsá-lo sumariamente do partido como um recado ao governador João Doria de que a sigla não vai se dobrar às estratégias dele.

Suor e lágrimas – Aécio acompanhou a votação. Durante as deliberações, uma funcionária que serve café na sede do partido o puxou num canto e, aos prantos, disse lamentar o que estava havendo.

Vapt-vupt – Diante da certeza de derrota, aliados de Doria tentaram adiar a votação, alegando que precisariam de tempo para analisar a segunda peça contra Aécio que fora levada ao colegiado. Celso Sabino (PSDB-PA), relator do caso, reagiu. Disse que se lhe dessem um computador e meia hora, encerrava a questão.

Menos um – O Podemos decidiu decidiu tirar Romario (RJ) e pôr Marcos do Val (ES) na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Val já disse ser contra a indicação de Eduardo à embaixada nos EUA.

TIROTEIO

“O Brasil tem muito a perder. O discurso contra o meio ambiente pode trazer consequências ruins até para o agronegócio.”

Do senador Eduardo Braga (MDB-AM), sobre as críticas de diferentes países e especialistas à retórica bolsonarista direcionada à área.

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