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Política

Tucanos capixabas repudiam decisão que beneficiou Aécio Neves

Os tucanos capixabas estão insatisfeitos com a decisão do PSDB de não expulsar o deputado Aécio Neves do partido. Na quarta-feira (21), uma reunião ...

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Os tucanos capixabas estão insatisfeitos com a decisão do PSDB de não expulsar o deputado Aécio Neves do partido. Na quarta-feira (21), uma reunião no diretório nacional da legenda, realizada em Brasília,  selou o futuro de Aécio. Foram 30 votos a favor do mineiro, 4 contra e uma abstenção. 

Por conta disso, o PSDB-ES repudiou a decisão de quarta através de uma nota assinada pelo presidente, o deputado estadual Vandinho Leite. “Acreditamos que esta decisão não representa o sentimento de renovação no partido nem a opinião pública brasileira. Aguardamos que todos que votaram a favor, venham a público defender o seu posicionamento”, diz trecho do comunicado.

A executiva nacional do PSDB decidiu não expulsar o deputado Aécio Neves. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A nota ainda afirma “que é insustentável a continuação de Aécio Neves no partido e que o novo código de ética deve começar a valer desde já, para todos, sem distinções ou privilégios”.

Por fim, o documento ainda critica as posturas do deputado mineiro. “O Brasil espera posturas que demonstrem o comprometimento do Partido com a ética, expulsando de seu quadro qualquer político envolvido em atos de corrupção, por mais histórica que seja a sua relevância dentro do mesmo”. 

Investigação

Aécio é investigado em uma série de inquéritos e se tornou réu, em abril de 2018, sob acusação de corrupção passiva e obstrução da Justiça. O deputado ainda não foi julgado.

O deputado é réu no processo relativo ao episódio em que foi gravado, em março de 2017, pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, da JBS.

A ofensiva contra o deputado mineiro foi patrocinada por Doria, que conseguiu apenas quatro votos contra Aécio: o deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), do prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, do secretário de Saúde da capital paulista, Edson Aparecido, e do tesoureiro do PSDB, César Gontijo. A abstenção foi do líder do partido na Câmara, Carlos Sampaio (PSDB-SP).

Uma das representações analisadas foi formalizada pela direção paulistana em 9 de julho, um dia antes de o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), aliado de Doria, ameaçar deixar o partido caso Aécio não fosse expulso. Covas, que busca a reeleição em 2020, chegou a dizer “ou eu ou ele” para defender a saída do mineiro.

Relator e aliado do mineiro, o deputado Celso Sabino (PSDB-PA) apresentou parecer contrário à admissibilidade das representações. A maioria da executiva acompanhou o entendimento, travando a possibilidade de os casos avançarem para o Conselho de Ética do partido.

De última hora, Sabino mudou seu relatório e decidiu rejeitar, de uma só vez, dois pedidos: o do diretório municipal e o do estadual de São Paulo. A princípio, só a representação da capital paulista seria analisada. A reunião da executiva chegou a ser interrompida para ele refazer seu parecer.

Questionado se a posição da executiva foi derrota para Doria, Aécio afirmou não enxergar dessa forma, mas chamou o processo de eleitoreiro.

Para Aécio, “o PSDB deu uma demonstração de que quer virar essa página”. “O PSDB sabe de sua responsabilidade”, disse. “O partido tomou uma decisão serena e democrática. Não há aqui vitoriosos e vencidos. É uma decisão que respeita não apenas aquilo que prevê o estatuto, mas também a história daqueles que construíram o PSDB.”

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