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Um Barracão de memórias

Bianualmente, sempre no mês de julho, ex-alunos do antigo Colégio Agrícola de Santa Teresa se reúnem para um grande encontro festivo. Memórias de um ...

Adriano Lima Neves é ex-aluno do antigo Colégio Agrícola de Santa Teresa, atual Ifes

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Bianualmente, sempre no mês de julho, ex-alunos do antigo Colégio Agrícola de Santa Teresa se reúnem para um grande encontro festivo. Memórias de um período de vida que marcou toda uma geração, e na qual me incluo, são revividas e celebradas, trazendo à tona toda a emoção de um encontro regado a boa comida e boas recordações.

Barracão é o apelido carinhoso do antigo Colégio Agrícola de Santa Teresa, que, de tão influente naquela região, acabou se confundindo com o apelido do próprio distrito de São João de Petrópolis, onde a escola está localizada.

Foi uma verdadeira escola de vida para uma grande parcela da juventude dos municípios do entorno, e de muitos outros do nosso Estado e do Brasil.

Criado em 1940, inicialmente para ser uma instalação militar, curiosamente já em 1941, mesmo antes de o Brasil entrar efetivamente na Segunda Guerra Mundial, transformou-se em uma escola de ensino agrícola. E assim nasceu o nosso Barracão.

Sob o regime de internato, o seu quadro de alunos era formado por uma mescla de culturas e de comportamentos, que variavam de acordo com a região e classe social das quais eram oriundos.

Coabitavam os alojamentos desde matutos para os quais luz elétrica e água encanada eram novidades, até os mais urbanos, que vinham de cidades maiores. Os estilos eram os mais variados: uns se identificavam com as atividades de criação de gado e cavalos, sendo considerados, numa comparação rápida, como os atuais sertanejos.

Outros eram mais moderninhos, americanizados, sob a influência dos Beatles e dos Rolling Stones.

Gerações que viram o rock’n roll nascer, a televisão chegar ao Brasil, o homem pisar na Lua, que usaram brilhantina Glostora sob o som da Jovem Guarda, e que testemunharam os primeiros títulos mundiais de futebol do Brasil, esporte cuja dimensão naquela escola só conseguiria ser descrita em capítulos de um livro, tamanha a quantidade de talentos que ali surgiram.

A amizade era tão fiel que, se um colega se envolvesse em alguma confusão, todos se transformavam em uma só irmandade para o “que desse e viesse”.

A solidariedade era tanta que, se alguém arranjasse uma namorada e não possuísse uma roupa adequada para um encontro, era socorrido prontamente pelos colegas.

Vivia-se muito bem ali. A alimentação, apesar da rigidez de horários, atendia muito bem às necessidades e era servida em bandejões inox e precedida de bate-papos animados na fila do refeitório.

Quando, no auge da adolescência, se sentia vontade de saborear algo diferente do que era servido no refeitório, o imenso pomar com variadas e até exóticas frutas plantadas pelos próprios alunos servia de válvula de escape, mesmo com todos os riscos de ser pego com a boca na botija, pois não era permitido colher e consumir frutas fora do horário e do dia da escala de serviços no pomar.

Solidariedade e civismo são valores que os jovens que por lá passaram, e que de lá saíram homens, carregam hoje em suas vidas.

Além das ferramentas pedagógicas tradicionais usadas para o desenvolvimento do jovem, o ex-aluno dessa tradicional escola teve a oportunidade de viver uma outra aprendizagem, eternizada na alma, e que tenho a certeza de que foi o maior diferencial: a amizade.

Adriano Lima Neves é ex-aluno do antigo Colégio Agrícola de Santa Teresa, atual Ifes.

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