Tortura, abusos sexuais, humilhação, foram apenas alguns cenários de filme de terror vividos, por mais de oito anos, pela jovem Eva Luana, de 21. Em cinco postagens em uma rede social, a estudante de Direito conta detalhes dos abusos que ela, a mãe e a irmã mais nova sofriam nas mãos do padrasto Thiago Oliveira Alves, de 38 anos.
Apesar de a jovem ter feito as publicações na manhã desta terça-feira (19), Thiago está preso desde a última quarta-feira (13). Em entrevista à repórter Dani Oliveira, do programa Bahia No Ar, a titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Camaçari, delegada Florisbela Rodrigues, afirmou que o suspeito já foi interrogado e alegou que as denúncias são falsas.
Ao site Camaçari Notícias, a delegada afirmou que nunca viu um caso neste nível. Ainda de acordo com ela, muitas pessoas foram oferecer ajuda. “Foi tanta gente que apareceu para prestar depoimento, querendo ajudar no caso. As pessoas testemunharam o comportamento estranho, abusivo dele”, contou.
Em conversa com o site “Aratu Online”, o advogado da família de Eva relatou que o acusado está na 18º Delegacia Territorial de Camaçari, sem previsão de ser transferido. “Ainda não há previsão do deslocamento dele para o presídio, por conta de sua integridade física”, explicou.
De acordo com uma publicação no instagram do secretário de habitação de Camaçari, na Bahia, Júnior Borges, Thiago era funcionário da secretaria, mas que já havia sido exonerado. O secretário declarou apoio à Eva e sua família, além de afirmar que “assim que as primeiras informações sobre o caso chegaram à secretaria, o processo de exoneração do acusado, conhecido como Thiago Alves, foi imediatamente realizado e, desde o ocorrido, não tem vínculo com o referido”.
Sob proteção da Justiça, junto de sua mãe e irmã, e com o padrasto preso, Eva se sentiu segura para contar sua história para todos. No Instagram, a jovem explica que os abusos começaram com a mãe e depois, quando ela fez 12 anos, chegaram até ela.

Além dos abusos sexuais, Eva sofria humilhações constantes, tortura e alega que já fez diversos abortos. “Nunca pude ir ao médico pra fazer curetagem. Todas as vezes sangrava e passava mal a noite inteira. Já vi os bebês inteiros no vaso sanitário. Eu era chamada de burra, anta, doente, demente todos os dias e era obrigada a repetir isso pra mim mesma”.
O principal questionamento de Eva Luana é em relação à Justiça que, de acordo com ela, “falhou a tal ponto que o meu caso não chegou nem ao Ministério público. Fui obrigada a retirar a queixa por ameaças do meu padrasto”. Ela encontrou nas redes sociais, uma forma de pedir apoio, para que a justiça não falhe novamente e para que seu padrasto não saia impune.
Até esta noite, o perfil de Eva no Instagram já possuía mais 320 mil seguidores e comentários de famosos como a atriz Kéfera Buchmann e a ex-candidata à vice-presidência, Manuela d’Ávila, oferecendo ajuda à causa vítima, além de estar em 9º lugar no Google Trends.
Na última publicação, Eva explica que fez essa denúncia pública por dois motivos: para que a justiça seja feita e para que outras garotas, que também sofrem abusos, tenham forças para denunciar também. “Lute como uma garota”, finaliza.
