- Vitória, ES 29°C

Vitória 29°C

Educação

Ufes faz apelo por doação de corpos para aula de Medicina

Você confiaria em um cirurgião que aprendeu anatomia em um boneco de plástico? É com essa pergunta que a Universidade Federal do Espírito (Ufes) abre ...

Ufes faz apelo por doação de corpos para aula de Medicina
- Professor Ricardo Eustáquio e a diretora do Centro de Ciências da Saúde da Ufes, Gláucia Rodrigues, dizem que é preciso melhorar estrutura para as aulas

Última atualização

Você confiaria em um cirurgião que aprendeu anatomia em um boneco de plástico? É com essa pergunta que a Universidade Federal do Espírito (Ufes) abre o Programa de Doação de Corpos – inédito no Estado.

Sem receber um cadáver novo há mais de cinco anos para as aulas de Anatomia dos cursos de Medicina, Psicologia, Biologia e Educação Física, a instituição agora pede que as pessoas se declarem doadoras voluntárias de corpos ainda em vida.

Só existem dois cadáveres ainda a serem dissecados (sem prazo ainda definido, para serem usados em situação de urgência) e os órgãos já utilizados – manuseados por cerca de 800 alunos por semana – estão se deteriorando cada vez mais, o que abre a necessidade de novos para a aprendizagem.

A maioria dos corpos que chegavam à Ufes era de indigentes. Eles eram doados pelo Instituto Médico Legal (IML) à universidade, que precisa entrar numa fila de espera. Mas o número de corpos sem identificação está ficando cada vez mais escasso.

Professor de Medicina da Ufes, Ricardo Eustáquio destaca o artigo 14 do Código Civil Brasileiro, que prevê a doação voluntária e gratuita do corpo.

Professor Ricardo Eustáquio e a diretora do Centro de Ciências da Saúde da Ufes, Gláucia Rodrigues, dizem que é preciso melhorar estrutura para as aulas (Foto: Leone Iglesias/ AT)

“As pessoas devem perceber a importância de doar para uma universidade, porque isso vai ajudar na formação dos profissionais da área de saúde”, disse.

“O aluno vai aprender direto no corpo humano, e isso não tem preço. Se tivéssemos mais peças, os alunos poderiam aprender dissecando, tendo a real noção da posição dos órgãos e das estruturas corporais. Nas peças de resina, nunca conseguiremos reproduzir isso”, argumenta.

Segundo o professor Rogério Azeredo, há menos materiais nas aulas de Anatomia. “Temos um projeto de dissecação de cadáveres. Há dois anos, tínhamos ao menos cinco alunos por professor, que poderiam participar. Agora, só permitimos, no máximo, um aluno, pois não temos material suficiente”.

“Nosso acervo de peças, apesar de muito bom, está se deteriorando. Temos peças que não estão em qualidade ideal e não temos como repor”, completou.

Diretora do Centro de Ciências da Saúde da Ufes, Gláucia Rodrigues ressalta que a estrutura poderia melhorar. “Precisamos conscientizar a população para doar, para que a gente possa repor e garantir o nível de aprendizagem”.

A reportagem completa você confere no jornal A Tribuna desta sexta-feira (15). 

Mais Lidas

Ver tudo ›