
Somos moradores do Bairro Moscoso, muitos há mais de 50 anos, e não aceitaremos que ele se torne uma “Síria”, como disse um morador, cujo adjetivo inoportuno e desrespeitoso desqualifica nosso bairro e seus moradores honestos e trabalhadores.
Temos uma linda história de famílias que aqui vivem porque encontraram o sossego necessário para conviver em harmonia com os demais moradores e a exuberante natureza, além da proximidade dos serviços, do comércio e do lazer, e a qualidade de vida.
Antes de passar por esse episódio e ter essa imagem sofrível, é preciso conhecer a história do bairro. Aqui o médico sanitarista Dr. Pedro Feu Rosa e Dona Zindoca criaram seus filhos; aqui nasceu e cresceu Jarbas Silva Filho (Jarbinha), lateral direito do Rio Branco Atlético Clube, tetracampeão capixaba de futebol nos anos 70.
Aqui moraram as professoras Margarida (atualmente na Escola de Música do Estado) e Eva de Assis, também vereadora, que lecionava no antigo Colégio Americano; aqui morou e criou os seus filhos o Sr. Nilo Etienne Duarte, responsável por elevar o nome do futebol de salão capixaba e conquistar títulos nacionais
Neste bairro, o professor Mauro Marques saiu para ser preparador físico no futebol profissional. Aqui foram criados o coronel aposentado da Polícia Militar, Guilherme, e o ex-professor de Geografia da Ufes Jara de Almeida , e também morou o jornalista Bira Silva.
Nesta parte bucólica da cidade, o ex-governador, à época estudante de economia da Ufes, Paulo Hartung e seus amigos de faculdade eram recebidos carinhosamente pelos moradores para evitar que fossem presos na época da ditadura militar.
Ainda hoje moram no bairro advogados, médicos, engenheiros, enfermeiros, professores de escolas públicas e privadas, servidores públicos municipais, estaduais e federais, policiais militares, comerciantes, dentre outros.
Há, também, o lado cultural do bairro: abrigava as extintas escolas de samba Acadêmicos do Moscoso e, posteriormente, Lira do Moscoso, e conta hoje com a “Tardezinha no Moscoso”, de samba.
Ontem, o Clube de Futebol Vitoriense, hoje o projeto do Moscoso Sports com o futsal sub-20 e o futsal master.
Infelizmente, parte das informações veiculadas sobre o lamentável episódio não condiz com o sentimento dos seus habitantes nem a realidade dos fatos.
Não há sentimento de medo nos moscosenses. Não há ruas desertas e casas vazias no bairro. Não nos tornaremos reféns do medo, salvo os que tiverem familiares subjugados e cooptados pelo crime.
A divulgação de suposta pesquisa sobre a realidade do bairro denota desconhecimento dos fatos e desconstrói a identidade dos moscosenses.
Lamentamos profundamente as mortes ocorridas e nos solidarizamos com suas famílias. Jamais concordaremos com a imposição da força bruta contra nossos moradores e visitantes, sempre bem-vindos ao bairro.
O Moscoso não será subjugado pela violência. Moscoso não morreu nem morrerá! A praça ainda é nossa!
Aylton Gomes Cabral é advogado e morador do Moscoso