Com colaboração de Kayque Fabiano
O Green Book que dá nome ao filme foi um guia que era usado por alguns motoristas para conhecer e visitar do sul dos Estados Unidos sem causar conflitos. Era uma lista que mostrava os locais onde os negros eram bem recebidos. Isso porque, em 1962, no pico da intolerância contra os negros, pessoas consideradas “de cor” não podiam frequentar o mesmo ambiente que os brancos.
E é nesse contexto que o filme se desenrola. De um lado, temos Frank Anthony Vallelonga (Viggo Mortensen), um segurança com ascendência italiana e alguns excessos que deixa o personagem à beira do estereótipo; e do outro, seguimos Don Shirley (Mahershala Ali, candidato ao Oscar de melhor ator coadjuvante), um exímio compositor e músico negro, requintado e dotado de uma excelente educação.

A melhor coisa sobre o filme, nesse sentido, é que em várias cenas opta pelo humor cômico em vez de seguir um drama pesado, mesmo que seja baseado em acontecimentos reais. Destaque para a cena na qual a dupla conhece o restaurante KFC.
Também não devemos desvalorizar os méritos estéticos: a cor e a fotografia de Sean Porter são maravilhosas e a música do compositor Kris Bowers também ajuda a dar ritmo ao longametragem. Música essa que segue presente em todo o filme, seja como plano de fundo nas cenas pesadas de violência, como em citações a grandes nomes da música, como Aretha Franklin.

A atuação de Mahershala Ali é mais uma vez destaque. Basta saber se será o necessário para convencer a academia a lhe conceder o segundo Oscar pela mesma categoria. O filme ainda concorre à estatueta de Melhor Filme, ainda que seja ofuscado por outras obras, ator, ator coadjuvante, roteiro original e montagem.
