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Jornalista conhece o pai após 20 anos de buscas

O nome do pai na certidão de nascimento veio após 25 anos, com um sentimento de missão cumprida. O jornalista Vinícius Rangel do Nascimento, da TV ...

Última atualização

 (Foto: Roberta Bourguignon)

O nome do pai na certidão de nascimento veio após 25 anos, com um sentimento de missão cumprida. O jornalista Vinícius Rangel do Nascimento, da TV Tribuna, sonhava com o dia em que descobriria a própria origem e tiraria “paternidade não declarada” dos documentos.

Com a identificação do pai, Vinícius, que é natural de Guarapari, ganhou um novo sobrenome, “Rocha”, mais quatro irmãos, uma madrasta, avó, tios, e também um grande motivo para comemorar o Dia dos Pais.

O pai, Alessandro Moreira Rocha, tem 56 anos, é técnico em contabilidade e mora na cidade de Formiga, em Minas Gerais. O primeiro encontro foi no ano passado e a mudança na certidão de nascimento aconteceu esta semana.

“Quando a gente é criança, adolescente, é muito estranho não saber ao menos quem é seu pai. Chegavam as datas comemorativas e eu não participava, não tinha quem substituísse aquele papel. Tive uma infância amadurecida e com poucas respostas”, revelou Vinícius.

Ele chegou a acreditar que não conheceria o pai. “Não esperava mais que pudesse encontrá-lo e ainda ter o sobrenome dele na minha certidão de nascimento e também nos meus documentos. Sou uma ‘nova’ pessoa”, comemora o jornalista.

Já Alessandro confessa que nunca imaginou que um filho pudesse procurar um pai por tanto tempo, e que esse pai seria ele.

“A busca do Vinícius pelo pai biológico foi muito grandiosa. Quando ele chegou até a mim, fiquei muito sensibilizado. Ele me perguntou se eu poderia dar o meu sobrenome e eu respondi: com certeza. Da parte dele, foi extraordinário não ter desistido dessa busca. Até brinquei com ele e propus que, se eu não fosse o pai biológico, eu o registraria, só para ele cumprir a missão dele.”

E completa. “Parecia que eu e o Vinícius já nos conhecíamos há tempos. No segundo dia, ele já estava me chamando de pai”.

Publicação em jornal possibilitou encontro

 (Foto: Roberta Bourguignon)Na internet, Vinícius Rangel conta que buscava de todas as maneiras encontrar o pai. Disse ainda que ampliou a pesquisa para os cemitérios e chegou a conversar com alguns coveiros em Minas Gerais.

Pesquisas foram realizadas na receita federal, no site do Tribunal Eleitoral de Minas Gerais, nas prefeituras de Santa Bárbara, Belo Horizonte e Barão de Cocais.
Depois de muitas buscas, Vinícius enviou um texto para jornais da região de Belo Horizonte. Um dos jornais fez a publicação no perfil público deles.

“Cinco dias depois, uma menina comentou, dizendo que conhecia o Alessandro e que ele era o pai dela. Foi aí que eu entrei em contato e descobri que ela era uma dos meus quatro irmãos. Na hora, a gente conversou muito e ela fez contato com ele. Trocamos contato e no mesmo dia eu liguei para ele e nós conversamos”, disse.

“Eu expliquei que eu não queria nada além do nome dele na minha certidão de nascimento e o sobrenome dele.” Alessandro não mora na cidade das buscas e sim em Formiga, próximo a Divinópolis em MG, a 800 km de Guarapari.”

O primeiro encontro foi em agosto do ano passado. “Uma surpresa para os dois. De lá mesmo eu propus a ele de fazer o DNA logo e ele topou. Quando o resultado saiu, não pensei duas vezes e mandei as mensagens com as fotos do documento atestando a paternidade. E agora com o registro feito no cartório e com o novo nome, eu posso atestar de verdade a minha paternidade.”

Mãe ficou grávida e não conseguiu contar ao pai

Os pais de Vinícius se conheceram em Guarapari, na década de 1990. Na época, o mineiro Alessandro gostou tanto da cidade, que chegou a abrir um bar no bairro Muquiçaba. A mãe de Vinícius, Regina Maria Rangel do Nascimento, 52, foi apresentada a Alessandro por um amigo em comum. Os dois ficaram juntos e Regina acabou engravidando.

Meses depois, Alessandro foi embora, e Regina não chegou a contar sobre a gravidez. Ela sabia apenas o nome dele, o nome da ex-esposa dele, do pai dela, e a cidade onde ele viveu em Minas Gerais.

“Tudo começou aos meus 4 anos de idade, quando comecei a questionar a minha mãe sobre quem era o meu pai. Ela tentava me enrolar, mas dizia poucas coisas. Sempre falava que ele era mineiro e que estava em Minas Gerais, na cidade de Santa Bárbara”, conta Vinícius Rangel.

E continua. “Minha mãe sempre dizia que iria atrás dele para mim, mas ela não conseguia muitas informações. Na minha adolescência, eu iniciei parte das buscas pela internet. Fui na casa de amigos antigos que meu pai fez em Guarapari e que lembravam dele, mas não sabiam onde ele estava, só que tinha ido embora”.

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