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Novos papéis das vovós modernas

As vovós já não são mais as mesmas! A imagem dos cabelos brancos, cadeira de balanço e tricô já não condiz mais com a versão da vovó moderna.Elas ...

A empresária Hérica Godoy, 46 anos, e o neto Pedro, 3 anos

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As vovós já não são mais as mesmas! A imagem dos cabelos brancos, cadeira de balanço e tricô já não condiz mais com a versão da vovó moderna.

Elas quase não param em casa, trabalham, dirigem, malham, namoram, algumas têm tatuagens e outras não deixam o celular.

Com as mudanças na sociedade, as vovós também ganharam novos papéis. Antes aposentadas e dedicadas inteiramente à família, hoje elas se dedicam a empresas, agendas lotadas e outros afazeres.

“Atualmente muitas avós ainda trabalham e desempenham vários papéis. Outras estão aposentadas e querendo curtir ao máximo os netos, pois quando mais novas trabalhavam muito e não conseguiam dar e oferecer a atenção e o material que desejavam para os seus filhos”, explicou a psicóloga e coach Livia Marques.

Ela ressalta ainda que outras avós, mesmo trabalhando, auxiliam os filhos e netos. Como é o caso da assessora parlamentar Luciene Costa, 50, que é avó da Lara Hirle, 8.

A assessora parlamentar Luciene Costa tem uma vida profissional ativa, mas dedica parte do seu tempo para a neta Lara (Foto: Thiago Coutinho/ AT/ 07/02/19)

“Fico com ela quando a mãe tem algum compromisso e nos finais de semana estamos sempre juntas no shopping, cinema, piscina. Avó é babona e eu sou uma supercoruja. Acabo fazendo todas as vontades dela, mas sou uma negação na cozinha e nem sei fazer crochê, mas sei brincar na piscina e ir ao shopping”.

As figuras dos avôs e avós marcam a memória afetiva de pessoas de todas as idades, segundo a psicóloga da Unimed Vitória, Gisele Barreto.

“A cumplicidade é a relação mais natural existente entre avós e netos. Hoje, avós que praticam esportes e saem para jantar e passear com os netos são figuras comuns, e todos saem ganhando com isso. Pessoas mais saudáveis estabelecem vínculos mais saudáveis”.

A psicóloga Nanda Perim explica que as avós hoje em dia estão bem ocupadas, trabalhando e com agenda social ativa, tendo sua própria vida para curtir e cuidar.

“Além disso, o empoderamento e a informação vêm afastando mais as gerações. Portanto, a forma de conciliar essas diferenças é, em primeiro lugar, estabelecendo canal aberto de comunicação para que seja alinhada qual a linguagem a ser falada com a criança”.

Ela destaca ainda que é necessário que pais e avós deixem claro todos os detalhes para que nenhum mal-entendido atrapalhe a relação.

A assistente social Evelyn, a estudante Emilly, a comerciante Luzia e o pequeno Lucca (Foto: Leone Iglesias/ AT)Ajuda nos cuidados do neto

A assistente social Evelyn Steiner da Silva, 32, tem várias funções, mas a mais importante é ser avó do pequeno Lucca Simor Amorim, de 2 meses, filho da estudante Emilly Steiner Simor Soares, 16, e bisneto da comerciante Luzia Facco Steiner, 58.

“Quando minha filha ficou grávida, revivi tudo que passei com minha gravidez. Mas o amor pelos dois era muito maior que o medo. Hoje ajudo Emilly a cuidar dele, mas a responsabilidade maior é dela. Ser avó é amor em dobro! Sei que vamos aprender juntos”, contou.

Diversão garantida
A microempreendedora Kellen Martins, 49 anos, é uma vovó que brinca com os netos Sofia Martins, 10, e Matias Queiroz, 1 ano e 9 meses. Ela contou que conversa, sabe de tudo que a neta gosta, o que a chateia, e é uma grande amiga para os dois. Além disso, é ela quem os leva e busca na escola, enquanto as filhas Renata Martins, 28, e Isabela Martins, 26, estão trabalhando.

“Agora está essa onda de slime e a Sofia adora, sempre que posso faço com ela. Brinco de atuar, ela finge que é atriz e a gente se diverte. Até mesmo com o Matias, que ainda é pequeno, a gente sempre brinca”, contou.

A microempreendedora Kellen, os netos Sofia e Matias, e as filhas Renata e Isabela (Foto: Acervo pessoal)

Netas são prioridadesA empresária Ruth e as netas Lara, 3 anos, e Elisa, de 6 meses. (Foto: Acervo pessoal)
A empresária Ruth Sipolati Cavalieri, 55, trabalha com cervejeiros, é beer sommelier e vive antenada no assunto. Mas, sempre que pode corre para ficar com os amores da vida dela, as netas Lara Sipolati Chiabai, 3 anos, e Elisa Sipolati Chiabai, de 6 meses.

“Hoje tenho prioridades: minha família e eu mesma. Mas minhas netas são as principais. Ser avó é muito rejuvenescedor. Me considero uma avó moderna, converso sobre tudo, aprendo também. É muito lega!”.

“Avós são o equilíbrio da família”

Dizem que ser avó é amar com açúcar, é amor em dobro e faz muito bem para os netos. Mas, segundo a psicóloga e escritora Betty Monteiro, um dos papéis fundamentais da avó, sendo ela moderna ou não, com coque ou tatuagem, é ser o equilíbrio, a sabedoria e a maturidade da família.

Ela, que escreveu o livro “Avós e Sogras – Dilemas e delícias da família moderna”, ressalta que às vezes a relação delas com filhos e noras pode ficar complicada, mas é preciso limites e colaboração.

A Tribuna – Como são as avós hoje?
Betty Monteiro – Até pouco tempo, o modelo de avó era a personagem da Dona Benta do Sítio do Pica Pau Amarelo. Aquela avó com o coquinho, cabelinho branco, que ficava só na cozinha e era totalmente dedicada aos filhos, aos netos, a casa.

Hoje, o modelo de avó é aquela que está no carro, indo para academia, que fica correndo para lá e para cá, dançando, namorando, trabalhando, estudando, ajudando a levar os netos na escola ou não. É uma mulher que não vive mais somente para a família. A avó de hoje é superjovem, que se cuida, é moderna.

Betty Monteiro: “Ser avó não é mais só aquele amor com doçuraE como essa modernidade tem influenciado no papel da avó?
Hoje, com a mãe fora de casa, trabalhando, a relação com a avó pode ficar um pouco conturbada. Tem uma avó que tem os seus eventos sociais, sua agenda lotada, mas que também precisa ajudar a cuidar dos netos. E, às vezes, acaba entrando muito em choque com a mãe desses netos. Então, 60% dos conflitos familiares acontecem entre avós, sogras e noras.

É uma porcentagem bem alta. Mas a avó hoje é muito importante para a família porque os pais são muito ocupados, então ela acaba sendo mais necessária que as vovós de antigamente.

Há avós hoje que têm de sustentar a família, outras ficam responsáveis pela educação dos netos. Ser avó hoje em dia não é mais só aquele amor com doçura. Às vezes dá muito trabalho mesmo. Mas é importante fazer só aquilo que pode. Ser avó continua sendo uma coisa maravilhosa, desde que a gente saiba respeitar e dar limites.

E qual o equilíbrio?
Avós têm de esperar serem requisitadas. Tem vovó que quer se antecipar e acaba sendo invasiva. Sempre falo com algumas avós: ‘tem de ficar de boca fechada, só dê opinião se for requisitada’ (risos). Essa é uma forma dessa relação não se transformar em uma conflito familiar.

Os jovens antigamente ouviam mais seus pais, eram mais submissos, era uma relação diferente. Hoje, os avós têm de ter respeito com a família dos filhos, têm de ligar antes, avisar, não pode chegar invadindo a casa dos filhos, atrapalhando a educação dos netos. Costumo dizer que os avós têm de ter simancol (risos).

E nessa correria do dia a dia com tantas tarefas, como fica a relação dessa avó com os netos?

Tenho seis netos, moro em uma chácara e, quando os netos vêm passar um tempo comigo, se estão sem os pais, as coisas funcionam do meu jeito, são minhas regras, meus horários porque o neto não pode atrapalhar a minha rotina.

E a minha convivência com eles tem de ser uma coisa gostosa, não estou ali para educar essa criança, é a lei da minha casa. Agora, se os pais estão juntos, quem manda é o pai e a mãe, mesmo que estejam na minha casa. Isso é cada um ficar no seu limite, respeitar.

Se está comigo, tem de confiar, vai ser do meu jeito. Mas se os pais estão juntos, é a mamãe que manda, mesmo quando discordo. Às vezes tenho de segurar a boca, sair de perto para não discutir (risos).

Qual o papel das avós na família?
Os avós têm um papel muito importante. São amadurecidos e excelentes para proporcionar o equilíbrio na família, principalmente em situações de separação, de morte, de doenças, de conflitos familiares.

Eles amenizam os problemas familiares. As crianças são mais felizes quando estão perto dos avós.

A empresária Hérica Godoy, 46 anos, e o neto Pedro, 3 anos (Foto: Kadidja Fernandes/ AT/ 08/02/2019)

Ajuda
O pequeno Pedro Porto Rocha, 3, é o único neto da empresária Hérica Godoy, 46. Ela conta que não é uma vovó que estraga o neto, mas adora passar um tempo com ele. Mesmo com o dia a dia atarefado, Hérica conta que está sempre disposta a ajudar o filho e a nora com os cuidados do Pedro quando é necessário.

“Pedro adora os momentos que sento para brincar com ele. Meu papel como avó na vida do Pedro é dar muito amor, suporte aos pais. Respeito muito o papel deles e sei que a tarefa de educar e corrigir é dos pais. Mesmo discordando de algumas coisas, eu os respeito.”

Cuidar de netos aumenta longevidade

Além de ser gostoso – é o que garante a maioria das vovós – cuidar dos netos também pode aumentar a expectativa de vida. É o que mostrou um Estudo de Envelhecimento de Berlin, na Alemanha.

A pesquisa analisou qual era a diferença na taxa de mortalidade entre os avós que ajudavam a cuidar dos netos, participando da educação deles, e dos avós que não tinham netos ou não conviviam com eles. Os resultados mostraram que conviver com netos e cuidar deles reduzia em 37% o risco de mortalidade.

No entanto, os especialistas ressaltam que esse cuidado deve ser com moderação e não deve se tornar uma obrigação para os avós.
sobrecarga

“Atualmente os avós desempenham diversos papéis nas vidas dos netos, muitos deles indevidos. Muitos avós assumem funções que não deveriam ser suas como cuidar todos os dias dos netos, e ter cuidados diários que deveriam ser dos pais”, destacou o médico e psicólogo Roberto Debski.

Ele alerta ainda que há avós e avôs que adoecem por assumirem cuidados em uma carga horária excessiva com os netos e acaba faltando tempo para cuidarem de si mesmos.

A parapsicóloga clínica Edna Amaral ressalta que, para ter saúde e uma boa relação com os netos, os avós têm de ser apenas avós. “Deixem vovós serem só vovós, sem as responsabilidades que um dia já assumiram como mãe. Hoje elas desejam ser somente ‘vó’”.

A contadora Elenice e o neto Heitor (Foto: Acervo pessoal)Energia para poder brincar

A contadora Elenice Amaral Pinheiro, 52 anos, tem o dia a dia atarefado, mas, como trabalha em casa, sempre tira um tempo para tomar café da manhã com o neto, o pequeno Heitor Amaral, 4 anos. Além disso, tem de ter pique para brincar e acompanhar o crescimento dele.

“Vou à praia quase todos os finais de semana e o levo junto comigo. Faço castelo de areia, brinco nas piscinas, jogo bola, brinco de super-heróis, corro o tempo todo com ele. Raramente fico sentada em uma cadeira de praia. E adoro!”.

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