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Hercules e o caso de amor com o Vitória

“Não lembrava que ele era tão pesado assim (risos)”, brincou Hercules, ao segurar, na arquibancada do estádio Salvador Costa, o troféu do Capixabão ...

Hercules com o troféu do Capixabão de 2006: "Não lembrava que era tão pesado"

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Hercules com o troféu do Capixabão de 2006 (Foto: Henrique Montovanelli)“Não lembrava que ele era tão pesado assim (risos)”, brincou Hercules, ao segurar, na arquibancada do estádio Salvador Costa, o troféu do Capixabão de 2006.

A conquista não sai da cabeça do atacante, que fez o segundo gol do triunfo por 3 a 1 sobre o Estrela no jogo de volta daquela decisão.

O resultado encerrou o jejum do Vitória de 29 anos sem o título do Capixabão. Treze anos depois, Hercules vive a expectativa de amanhã, às 15 horas, contra o Real Noroeste, em Águia Branca, encerrar um novo jejum alvianil. O pesado troféu foi o último dos nove títulos do clube no Capixabão.

“Aquele grupo era muito bom e comprou a briga do Vitória. Todo mundo sabia que precisava do título, entendeu aquele momento. Vejo isso neste grupo também, essa vontade de ser campeão e terminar esse jejum”, compara o ídolo do clube, de 39 anos, que também conquistou pelo Vitória a Série B do Capixabão de 2016.

Depois de passar, em 2018, por cirurgias de menisco, uma em cada joelho, Hercules foi relacionado pela primeira vez este ano no jogo de ida da final, mas não entrou em campo no empate em 1 a 1. Para amanhã, promete estar em Águia Branca, dentro ou fora de campo.

A TRIBUNA — O que o troféu de 2006 representa para você?

HERCULES — Não lembrava que ele era tão pesado assim (risos). Acho que essa vai ser minha primeira foto com ele, porque depois do jogo a torcida invadiu o gramado. Mas esse título foi diante da nossa torcida, no Salvador Costa lotado. O torcedor lembra até hoje e comenta na rua. Não vou esquecer nunca esse dia.

O que lembra da jogada do seu gol cabeça naquela final?

O Zanini, que era nosso capitão, teve a tranquilidade para fazer um belo cruzamento da esquerda e eu fui feliz no lance. Foi muito importante porque eu perseguia aquele gol dentro de casa, porque só tinha marcado gols fora. E Deus me presenteou com um gol logo na decisão e de cabeça, que é meu tipo predileto de gol.

A recuperação das cirurgias foi seu momento mais difícil no Vitória?

Sim. Passei por duas cirurgias, achei que seria uma recuperação bem rápida, mas demorou um ano para voltar. Eu não queria parar esquecido, com as pessoas falando “cadê o Hercules?”.

Estádio Salvador Costa ficou lotado na final de 2006 (Foto: Kadidja Fernandes — 09/04/2006)Em 2006, o Vitória também empatou o jogo de ida por 1 a 1, mas depois venceu em casa. Acha que o time pode fazer o mesmo, dessa vez fora de casa?

Sim. Não é desrespeito ao adversário, mas vamos lá para vencer o jogo porque queremos ser campeões. Vamos a Águia Branca com esse pensamento.

Mesmo se não for relacionado, você vai para Águia Branca?

Vivo essa expectativa de estar entre os relacionados, mas se não for da vontade de Deus, estarei torcendo do mesmo jeito para que a gente conquiste o título. E, claro, estarei lá de qualquer jeito!

Seria um sonho para você, aos 39 anos, depois de não jogar o Capixabão todo, entrar e fazer o gol do título?

Hercules, recuperado de cirurgias nos dois joelhos, treina com a expectativa de ser relacionado para a final do Capixabão (Foto: Henrique Montovanelli)Esse tem sido o pensamento que vive comigo. Seria a realização de um dos maiores sonhos poder estar nessa final e fazer o gol do título, por tudo o que eu vivi e vivo aqui, pela minha história no clube. Mas claro que, independentemente de quem jogar ou de quem fizer o gol, quero ver o Vitória campeão.

O título, caso venha, pode atrair mais torcedores?

O torcedor quer acompanhar o time vencedor. Acho que esse título poderia motivar os mais velhos e os mais jovens, que podem se tornar torcedores do Vitória. A gente quer fazer desse time um clube ainda maior.

Quais os seus momentos mais importantes no Vitória?

O título de 2006. E também tenho uma recordação boa do elenco de 2002, que foi quando eu comecei a jogar mesmo de titular. O Vitória estava na Série B do Capixabão, fui o artilheiro com 12 gols e nós conseguimos subir o time. E quando eu comecei, na base, com o Luis Carlos Sá, que foi meu primeiro treinador na base, é um ídolo do clube e foi quem me deu a primeira e acreditou em mim. Mas aprendi a gostar desse clube não pelos títulos, mas por tudo o que eu já vivi aqui, às vezes até evitando rebaixamento, vendo o sofrimento do torcedor. É uma história de amor mesmo.

Você também tem uma boa passagem pela Desportiva, onde também é muito querido. Mas seu amor mesmo é pelo Vitória…

Quando eu jogava na Desportiva eu falava isso. Comecei aqui, me profissionalizei aqui e aprendi a gostar do clube. Sou um torcedor do Vitória.

Novo ciclo em Bento Ferreira

Hercules realizou o curso de Licença C da CBF no ano passado  (Foto: A Tribuna)

A história do atacante Hercules com o Vitória, que se iniciou em 2001 e já dura 13 temporadas, entre idas e vindas, está perto de se encerrar. Ele tem contrato com o clube até o fim de agosto deste ano e depois pretende pendurar as chuteiras e iniciar um novo ciclo no time de Bento Ferreira, como treinador.

“Este será meu último ano. Quis parar no Vitória e acho que esse vai ser o momento. É um ciclo que está se fechando e vou sair de cabeça erguida porque sei que desde que pisei aqui a minha história com esse clube foi de muita alegria. Cheguei aqui menino, com o sonho de ser jogador profissional e entrei naquele mesmo portãozinho ali”, lembra Hercules, aos 39 anos.

Depois do Capixabão e antes de aposentar como jogador, o “Sheik”, como é chamado pelos companheiros – em referência ao ex-atacante do Flamengo -, pretende realizar o sonho de colocar o time alvianil na Terceirona do Brasileiro, disputando a Série D a partir do próximo dia 04, quando a equipe estreia contra o Sobradinho, em casa.

Ele não atua desde o Capixabão do ano passado por conta de duas cirurgias de menisco nos joelhos.

“Estou melhorando a cada dia e tenho vontade de jogar a Série D. Claro que entre treinar e jogar existe um processo muito grande, até porque está chegando um novo treinador (Valdir Bigode) e não sei como será, mas vou me dedicar ao máximo para estar preparado e à disposição dele”.

Quando pendurar as chuteiras, Hercules espera receber da diretoria alvianil o convite para assumir novamente o Sub-20, que ele comandou no Estadual da categoria no ano passado. Ele fez a Licença C da CBF, para técnico, em 2018, e vai concluir o curso de Educação Física neste ano.

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