Uma marca que ficará marcada para sempre na carreira e na pele de Ronicley. Aos 37 anos, e ainda sem pensar em aposentadoria, o meia completa, no próximo sábado (06), 150 jogos com a camisa do Rio Branco. Será contra o Real Noroeste, no Kleber Andrade, no jogo de ida da semifinal do Capixabão.
“Sou inoxidável! Estou dando conta do recado. Eu driblo, faço gol, dou passe para gol. Enquanto eu estiver sendo usado em alto nível, não tem como eu parar. Tem muito jogador ruim de bola. Não tem como parar, não”, provoca Ronicley.
Além de um lugar no coração, o Rio Branco deve ganhar um espaço na pele do ídolo capa-preta.
“Vou fazer uma tatuagem do Rio Branco para ficar marcado para sempre na minha pele. Não defini o local ainda, mas vou fazer o escudo do Rio Branco com uma frase relacionada ao clube ou à minha família. O sentimento é de gratidão. Espero coroar essa marca com um belo jogo, talvez com um gol, quem sabe?”.
Ronicley tem 45 gols em 149 jogos disputados pelo clube, pelo qual foi campeão estadual em 2010. Entre as duas passagens pelo time, de 2008 a 2012, e a atual, são 67 vitórias, 46 empates e 36 derrotas.
Confira a entrevista
A Tribuna — Você sabia da marca de 150 jogos pelo Rio Branco?
Ronicley — Fui pego meio que de surpresa e deu um friozinho na barriga, porque aqui no Estado não é muito frequente alguém chegar aos 150 jogos em um clube.
Alcançar essa marcar em um jogo tão importante tem um valor especial?
Fazer 150 jogos, no Kleber Andrade, da maneira como vai ser, em um jogo de semifinal, nem nos melhores sonhos! Vai ficar marcado para sempre na minha vida. É o ápice para qualquer atleta. Estou realizado no Rio Branco. Você chegar a uma marca como essa em um clube como o Rio Branco… É gratidão a Deus.
Por que demorou tanto para Ronicley voltar ao Rio Branco?
Existiam pessoas ligadas ao Rio Branco que não queriam a minha volta. Tem pessoas que acham que são maiores que o clube, e não são. Quem manda no Rio Branco é o torcedor. Mas acho que Deus faz tudo no momento certo. Voltar neste momento, com o Rio Branco bem, com Loco Abreu, foi gratificante. E poder voltar bem também, porque não queria voltar me arrastando em campo, para não sujar aquilo que eu fiz.
Você foi vice-campeão três vezes consecutivas pelo clube: nas Copas Espírito Santo de 2008 e 2009, e no Capixabão de 2009. Como foi esse momento para você?
Encaro como um dos melhores momentos do Rio Branco. Foram quatro anos jogando tudo e várias finais. Vivi intensamente.
Mas, antes do título de 2010, o grito de campeão estava entalado…
Fui muito cobrado por isso. Foi afunilando e a cobrança aumentando por esse título. Lembro que falei com um torcedor que eu não sairia do Rio Branco antes disso (título) acontecer. O Rio Branco vai ganhar vários títulos, mas aquele de 2010 vai ficar marcado para sempre porque tinha 25 anos que o clube não vencia o título do Capixabão.
Quais suas principais lembranças daquele título?
Lembro muito do Dé Aranha (técnico), que figura, cara! Ele veio, quebrou o clima, é brincalhão, de resenha. Quando alguém estava impedido ele falava ‘start!’ (risos). E o que me recordo do grupo era o comprometimento. Para o cara ser campeão capixaba ele tem que ter colhão, e aquele time tinha. E eu vejo isso nesse grupo também (elenco atual).
Teve algum momento mais difícil no Rio Branco?
Houve sim, mas acho que mais por estresse. Você ficar quatro anos dentro de um clube não é fácil. Mas é como eu digo, que aqui eu estou no maior. O cara não pode ficar triste vestindo essa camisa.
Como é sua relação com a torcida?
Eu ando na rua e sou parado o tempo todo. Tiro fotos sem problemas, principalmente com crianças. Resumo isso em gratidão. Tenho mais a agradecer do que a pedir algo para essa torcida.
Seus companheiros de time respeitam essa sua trajetória no clube?
Muito. O Wesley, por exemplo, fala: “Roni, te acompanho há muito tempo, você é meu ídolo e para mim é uma honra jogar com você. Aonde você ia eu te acompanhava”. E os meninos perguntam como é fazer 150 jogos. Eu não gosto desse rótulo de “mito”, mas eu curto isso e deixo que os outros falam.
Você imaginava jogar com um jogador com o currículo do Loco Abreu?
Não. Estar com ele no dia a dia é demais. Ele está me ensinando muito, mas ele é muito chato! Ele pergunta “e aí, se cuidou?”, “está malhando?”. Eu me machuquei e ele ficava me mandando mensagem. Mas eu sei que é porque ele quer resultado.
O que significa a rivalidade com a Desportiva? A torcida da Desportiva canta “Léo Oliveira é maior que Ronicley”…
Acho que falta mais isso aqui no Estado. Só vejo Rio Branco e Desportiva fazer isso aqui no Estado. Falta a torcida pegar no pé do jogador do outro time, fazer ídolos. Sou muito grato por eles cantarem meu nome lá, cara. Eu gosto quando eles cantam, isso me motiva e é bom ser lembrado sempre, né? Sinal que alguma coisa você fez. Por mais ídolos assim, por mais músicas assim!
Pensa em aposentadoria?
Eu sou inoxidável! Estou dando conta do recado. Driblo, faço gol, dou passe para gol. Enquanto eu estiver sendo usado em alto nível, não tem como eu parar. O nível do nosso futebol é muito ruim. Falo de alguns jogadores, individualmente e tecnicamente falando. Tem muito jogador ruim de bola. Não tem como parar, não. Só vou parar quando eu falar “Ah, hoje não quero jogar bola não, para mim já deu”.

