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Solidão, um mal silencioso

Sentir solidão em algum momento da vida ocorre com todas as pessoas, de diferentes idades. Mas, entre os idosos, essa sensação costuma ser mais ...

Última atualização

 (Foto: Tribuna Livre)Sentir solidão em algum momento da vida ocorre com todas as pessoas, de diferentes idades. Mas, entre os idosos, essa sensação costuma ser mais sofrível e, se não for combatida, pode levar a problemas emocionais e agravar doenças físicas já existentes.

Um estudo divulgado pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, revelou que um em cada quatro idosos se sente isolado. Essa sensação é ainda maior naqueles que têm problemas de saúde.

Segundo o estudo, os que sofrem de alguma doença física, mental ou perda auditiva foram mais propensos a relatar que se sentiam isolados ou sem companhia.

Em contrapartida, os idosos considerados saudáveis, não fumantes e com sono de qualidade afirmaram que não se sentem sozinhos. O fato é que a convivência social é um fator primordial para a qualidade de vida de pessoas de todas as idades e tem um papel muito importante na promoção e manutenção da saúde física e mental da população idosa.

Um convívio social saudável promove o bem-estar e ajuda, principalmente, na prevenção da depressão, que atinge de forma considerável pessoas que estão na terceira idade.

Dados do estudo, que fazem parte da Pesquisa Nacional sobre Envelhecimento Saudável conduzida pelo Instituto de Políticas de Saúde e Inovação da Universidade de Michigan, revelaram ainda que mais de um quarto dos entrevistados na pesquisa contaram que só tinham contato social uma vez por semana com membros da família que moram longe ou amigos e vizinhos.

Essa é a realidade de muitos vovôs e vovós e acende um alerta para familiares, cuidadores e todos que, de alguma forma, fazem parte da vida desses idosos: vizinhos, amigos mais próximos, membros da comunidade (núcleos religiosos, associações etc.).

O ostracismo e a solidão são empecilhos muito difíceis para quem busca a longevidade, pois é grande o acúmulo de tristezas de quem se sente esquecido e menos importante.

A solidão, muitas vezes, é um problema silencioso que pode passar despercebido. Por isso, é necessário estar atento.

Arranjar tempo em meio à intensa agenda de atividades diárias não é uma tarefa fácil, mas é fundamental priorizar nossos idosos para doar o que temos de tão precioso: nosso tempo.

Fortalecer os laços é promover momentos de convivência e descontração em família, participar da vida do idoso, demonstrar interesse e, claro, cuidar.

Para isso, pode ser necessária uma divisão de tarefas para acompanhar ao médico, fazer um passeio diário, jogar baralho ou dominó, estar atento às receitas médicas e ao calendário de vacinas e outras atividades.

É essencial também que o idoso tenha ciência de como é valioso ter um convívio social.

Ainda que a disposição não seja mais a mesma da juventude, vale frequentar reuniões com amigos e familiares, centros de convivência e outros núcleo que promovam interatividade. Há muito a fazer, contar, ensinar, aprender e viver. Depende, e muito, do esforço de cada um.

Uma pesquisa realizada no ano passado pela AARP Fundation, nos Estados Unidos, afirmou que o isolamento social é tão nocivo para a saúde quanto a obesidade e o tabagismo.

Como bem disse certa vez Josh Billings, humorista americano do século XIX, a “solidão é um lugar bom de visitar vez ou outra, mas ruim de adotar como morada”.

Gustavo Genelhu é médico geriatra

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