- Vitória, ES 22°C

Vitória 22°C

Anúncio
Saúde

Fone de ouvido sem fio aumenta risco de câncer, dizem cientistas

Um grupo de 250 cientistas enviou uma petição à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização Mundial da Saúde (OMS) para alertar sobre os ...

Eduardo Valls Pagotto, de 31 anos, usa fone sem fio durante três horas por dia.

Última atualização

Um grupo de 250 cientistas enviou uma petição à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização Mundial da Saúde (OMS) para alertar sobre os riscos dos fones de ouvido sem fio. De acordo com o documento, esse tipo de equipamento – cada vez mais popular – apresenta uma possível ameaça de câncer devido à tecnologia Bluetooth.

Eduardo Valls Pagotto, de 31 anos, usa fone sem fio durante três horas por dia. (Foto: Leone Iglesias/AT)

Essa tecnologia utiliza ondas de rádio de frequência eletromagnética para trocar informações entre dispositivos, neste caso, o fone de ouvido e o celular ou o computador. A facilidade de ouvir música e até mesmo conversar ao telefone de forma sem fio fez o equipamento se popularizar nos últimos anos.

Os cientistas afirmam que a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer alertou que essas ondas podem ser cancerígenas, principalmente quando são usadas em um dispositivo tão próximo ao crânio, como no caso dos fones de ouvido.

Segundo os cientistas, altos níveis de exposição a ondas de frequência eletromagnética também podem causar problemas neurológicos e danos ao DNA.

“Com base em pesquisas publicadas e revisadas, temos sérias preocupações em relação à exposição onipresente e crescente de campos eletromagnéticos gerados por dispositivos elétricos e sem fio”, afirma a petição.

A Organização Mundial da Saúde diz que os níveis de exposição às ondas eletromagnéticas precisam ser em quantidades bem maiores do que as emitidas pelos fones de ouvido sem fio. Mesmo assim, os cientistas acreditam que a recomendação não é a ideal.

“As agências que definem padrões de segurança não conseguiram impor diretrizes suficientes para proteger o público em geral, particularmente as crianças, que são mais vulneráveis. Ao não agir, a OMS não está cumprindo seu papel de agência de saúde pública internacional proeminente”, diz a petição.

Alheio ao risco, o universitário Eduardo Valls Pagotto, de 31 anos, usa o fone sem fio por cerca de três horas por dia e não pensa em parar. “É muito mais prático. Deixo o celular no bolso e estou sempre com o fone no ouvido. Até me preocupo com esse risco do câncer, pois não sabia, mas é difícil parar de usar”, afirmou.

Aparelho pode ser enquadrado em categoria de alerta

Caso a Organização Mundial da Saúde (OMS) acate o pedido dos cientistas, o máximo que pode acontecer é a classificação do fone de ouvido sem fio entrar para a categoria de risco 4 para câncer – o que significa que a possibilidade é baixa.

A categoria é a mesma em que as ondas do aparelho celular foram colocadas pela OMS em 2011.

“Ou seja, pode ter risco, mas não há uma certeza. Nessa mesma escala, o cigarro tem risco 1: risco absoluto. Isso quer dizer que (o fone sem fio) até pode causar (câncer), mas merece estudo, pois tudo é muito incerto”, afirmou a oncologista do Núcleo Especializado em Oncologia (Neon), Kitia Perciano.

Ela afirma que será difícil comprovar os riscos do fone de ouvido sem fio.

“Seria preciso um estudo epidemiológico de pessoas que usaram e não usaram. E, mesmo assim, será difícil provar, pois seria complicado indicar se o problema é da tecnologia Bluetooth ou do celular, que todo mundo usa”, afirmou.

Já o mestre em rede de computadores e professor da faculdade UCL, João Paulo Machado Chamon, acredita que a possibilidade de causar a doença é pequena, já que a frequência da tecnologia Bluetooth é baixa, menor inclusive que a do wi-fi, também utilizada em celulares.

“Estamos envolvidas em várias outras ondas eletromagnéticas, que vão desde o micro-ondas a ondas de rádio AM e FM. Acho grave utilizar um fone de ouvido sem fio de um celular com bateria de íon lítio por conta da explosão, mas não acredito nesse risco do Bluetooth”, disse.

O dispositivo sem fio tem um nível de radiação muito menor do que o celular, por exemplo, explica o engenheiro eletricista e coordenador do curso de Engenharia Elétrica da UCL, Rafael Leal.

O Bluetooth do fone tem baixo alcance – não passa de alguns metros –, já que ele é utilizado para aparelhos próximos um do outro.

Com isso, ele precisa de uma potência cerca de 10 vezes menor para transmitir seu sinal.

“No máximo, vale o alerta. Por via das dúvidas, é melhor tem bom senso no uso”, disse Leal.

Ondas podem ser cancerígenas

Alerta

  • Um grupo de 250 cientistas assinou e enviou uma petição à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização Mundial da Saúde (OMS) para alertar sobre os riscos dos fones de ouvido sem fio.
  • Eles afirmam que o aparelho apresenta uma possível ameaça de câncer devido à tecnologia Bluetooth.

Bluetooth

  • A tecnologia Bluetooth, presente nos fones, utiliza ondas de rádio de frequência eletromagnética para trocar informações entre dispositivos, neste caso, o fone de ouvido e o celular ou o computador.
  • A facilidade de ouvir música e até mesmo conversar ao telefone de forma sem fio fez o equipamento se popularizar nos últimos anos.

Câncer

  • Os cientistas afirmam que a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer alertou que essas ondas podem ser cancerígenas, principalmente quando são usadas em um dispositivo tão próximo ao crânio.

Classificação

  • O fone de ouvido sem fio pode entrar na categoria de risco 4 para câncer – o que significa que a possibilidade é baixa.
  • A categoria é a mesma em que as ondas do celular foram classificadas pela OMS em 2011. O cigarro, por exemplo, tem risco de categoria 1.
  • O alcance da frequência do Bluetooth, no entanto, é bem menor que o do celular.
Fonte: WSB-TV Atlanta, especialistas consultados e pesquisa AT.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.