“Quando uma mulher entra na política, muda a mulher. Quando muitas entram na política, muda a política.” Estou deveras convencida de que essa frase, da ex-presidente chilena, a socialista Michelle Bachelet, retrata a bem nossa realidade.
E teço ainda mais detalhes: nós, as mulheres, é que devemos dar rumo novo a política, com pauta de políticas públicas, própria e contemplativa do horizonte feminino.
De modo a dar curso ao processo de superação das mazelas sociais que equilibre as relações na sociedade.
Os homens não conseguem mais ser os únicos sujeitos no centro das decisões políticas. E é hora mesmo de as mulheres completarem esse espaço, qualificando-o e diversificando-o.
Por essa razão, dedicamos todo mês de março para atender a Agenda Mulher, projeto compartilhado com a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e transversalizado com outros órgãos do governo.
A ideia é provocar intenso debate com as organizações sociais e de interesse, sobre o empoderamento da mulher, desde sua relação familiar, profissional, religiosa, e em toda atividade a que pertença ou participe.
Mas, especialmente, despertar nelas a vocação para a política, e que as leve para o engajamento nos movimentos sociais, políticos, partidários e eleitorais.
Tanto votando como se alistando e se colocando para serem votadas. Podemos avançar muito nessa matéria.
Outro objetivo dessa agenda será divulgar o Projeto da Organização das Nações Unidas, o ONU-Mulher, Planeta 50-50 em 2030. O projeto é parte integrante dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS/ONU) e propõe equilibrar o controle político entre os gêneros.
O Brasil é signatário dessa proposta. Se já somos maioria na sociedade, devemos fazer a diferença.
A agenda visitará cidades e espaços públicos e privados, englobando temas como segurança pública, justiça e assistência judiciária, atenção à saúde, acesso à escolaridade, a profissionalização e ao empreendedorismo produtivo e criativo, qualidade de vida no meio rural e urbano.
Também discutirá a incursão feminina na Ciência, Tecnologia e Inovação, no Turismo, no Esporte e sobre sua exclusiva condição reprodutora.
Para encerramento das atividades do mês da Agenda Mulher, estamos organizando uma reunião com as mulheres detentoras de mandatos: vereadoras, prefeitas e vice-prefeitas, deputadas estaduais e federais, a senadora da República, juntamente com as secretárias de estado do governo.
Juntas, pactuaremos as diretrizes no âmbito institucional, social e político desta agenda, e suas propostas e ações.
Essas propostas e ações são partes integrantes do Plano Estadual de Políticas Públicas para Mulheres e do Pacto Estadual de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, que já foram apresentados no primeiro governo de Renato Casagrande, e estão sendo revisados e atualizados, com participação das organizações representadas no Fórum de Mulheres do Espírito Santo.
Observaremos ainda indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS/ONU) e do Atlas da Violência (IPEA/FBSP), instrumentos de estudos, análise e orientação, para a garantia dos avanços, pelos quais lutamos e que me trouxeram até aqui.
Jacqueline Moraes é vice-governadora do Estado do Espírito Santo.