Estradas precárias, segurança escassa e o preço do frete tabelado são alguns fatores que estão levando muitas empresas, no atual momento econômico, a repensarem os seus processos de distribuição e logística no país.
O Brasil possui uma vocação natural para a cabotagem, já que o País conta com mais de 8.500 km de costa navegável e cerca de 80% da população vive a até 200 km da costa.
O serviço ocorre no mar, mas também pode se estender para lagos ou rios – como acontece em algumas operações de transporte de cargas de e para Manaus.
É difícil entender por que um país com milhares de quilômetros de costa nunca tenha investido como deveria no desenvolvimento do transporte de cargas entre portos nacionais.
Mas a situação já foi bem pior. Hoje, apesar de 60% do transporte de cargas no Brasil ainda ser realizado por caminhões e carretas, muitos empresários já descobriram as vantagens do transporte marítimo, com custos até 30% menores que o transporte rodoviário.
A segurança de bordo é outra vantagem do transporte pelo mar, pois a carga não está sujeita a tantos roubos e assaltos, como acontece frequentemente nas rodovias.
O modal também contribui para o menor fluxo de carretas e caminhões nas estradas brasileiras, desafogando as rodovias, já que os navios conseguem carregar muito mais cargas do que os caminhões.
A movimentação de cargas pela costa brasileira ainda oferece como vantagem um menor consumo de combustível por tonelada transportada, com a consequente redução da emissão de poluentes, o que torna a cabotagem um benefício também para o meio ambiente.
Levando em conta todos esses benefícios, a cabotagem vem crescendo entre 15 e 30% ao ano, mas isso ainda é pouco, principalmente se levarmos em consideração a grande costa brasileira que pode ser muito melhor aproveitada.
Apesar de trabalhar com um tempo de embarque, desembarque e deslocamento maior, com uma boa programação a opção pelo mar pode ser a mais vantajosa e muito melhor explorada, considerando todo o imenso potencial existente.
Com a greve dos caminhoneiros em 2018, ficou evidente a necessidade de se ampliar as opções de transporte de cargas no país. O Plano Nacional de Logística tem um destacado papel como vetor no estabelecimento de prioridades de investimentos, buscando um maior equilíbrio entre os modais.
Com a urgente priorização dos investimentos na infraestrutura portuária do país, será muito mais viável para os agentes econômicos usufruírem mais e melhor da extensa e privilegiada costa brasileira, como uma nova e importante supervia, integrada à capilaridade do transporte terrestre.
Se o planejado se concretizar, até 2025, a dependência das rodovias cairá para 32% no transporte de cargas, gerando uma economia de até R$ 54,7 bilhões por ano a partir de 2025. Um avanço extraordinário no esforço de redução do chamado custo Brasil, que tem reduzido sensivelmente a competitividade dos produtos brasileiros no mercado mundial.
Há décadas a infraestrutura portuária do País clama por investimentos. É hora de fazermos o dever de casa acumulado e dotar o país da infraestrutura que merece e precisa.
São muitos anos de atrasos, planos e postergações que não serão resolvidos de um ano para o outro. Mas a hora de uma retomada dos investimentos necessários na infraestrutura portuária do país é agora
Marcos Lopes é gerente executivo do Sindicado dos Operadores Portuários do Espírito Santo