
Nós os canelas-verdes e capixabas, precisamos conhecer um pouco mais da história de Vila Velha, que completa hoje 484 anos. Entender mais os nossos mitos, símbolos, ritos, crenças, e todos os comportamentos e saberes. Devemos conhecer e valorizar a nossa cultura popular, tão importante quanto a literatura, a arte plástica, a arquitetura, afinal somos a terceira cidade mais antiga do Brasil, fundada em 23 de maio de 1535.
Os primeiros anos foram difíceis na recém-descoberta Vila do Espírito Santo, hoje Vila Velha. Os confrontos com os índios, as dificuldades econômicas e a precariedade do local, fomentados pelas constantes viagens do donatário da Capitania do Espírito Santo, o Capitão Vasco Fernandes Coutinho. Passados cinco anos no Brasil, não havia investidores interessados na Capitania do Espírito Santo, o que levou o Donatário Vasco Fernandes Coutinho voltar a Portugal, em busca de recursos. Tempos difíceis para a então Vila do Espírito Santo.
Em função das dificuldades com os ataques indígenas, e pela fartura de água na Ilha de Santo Antônio (hoje Vitória), resolveu Vasco Fernandes Coutinho erguer na ilha uma “Vila Nova”, nova sede da Capitania, deixando a antiga sede (Vila Velha), abandonada e tomada pelos índios.
Estando protegida a nova sede da Capitania na Ilha, foi retomada a luta do donatário Vasco Fernandes Coutinho para recuperar a então abandonada antiga sede, a Vila do Espírito Santo, hoje Vila Velha. A reconquista definitiva ocorreu em 08 de setembro de 1551, dezesseis anos após a chegada. Foi depois desse fato que a primeira Vila, a do Espírito Santo, passou a ser chamada de Vila Velha.
Com a vitória sobre os índios em 1551, e para marcar o fato, a Vila Nova do Espírito Santo passou a ser chamada de Vila da Vitória. Também conhecida por Ilha do Mel, devido às grandes roças de milho, que deixava a paisagem dourada. O termo de origem tupi-guarani “capixaba” significa “roça de milho”
A efetiva transformação de Vila Velha em município independente não ocorreu de forma simples. Por duas vezes fomos anexados a Vitória, até a emancipação em 30 de novembro de 1896 (123 anos atrás), a antiga Vila do Espírito Santo, como era conhecida, ganhou pela primeira vez status de cidade, passando a ser chamada de Vila Velha. Em 1910, a iluminação passou a ser elétrica, a água potável encanada chegando à cidade. Início de grande desenvolvimento, principalmente com a vinda dos bondes elétricos.
Vila Velha, nos últimos 100 anos, não é mais a mesma. O crescimento é notório, tendo a arquitetura e topografia da cidade acrescidos de pontes, novos empreendimentos imobiliários e novas ruas.
Cresceu a nossa população, melhorando sobremaneira o seu poder aquisitivo. Hoje é um importante polo industrial e econômico, com grande potencial turístico e cultural, tendo todas as condições, de ser, verdadeiramente, a cidade histórica e cultural capixaba.
Manoel Goes Neto é presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha e diretor no IHGES