Antes voltado apenas para três Universidades Federais (Universidade de Brasília, Universidade Federal Fluminense e Universidade Federal da Bahia), o corte de 30% na verba das instituições, agora foi estendido para todas as instituições de ensino federais, universidades e institutos e uma das prejudicadas é a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
A medida de estender o corte na verba para todas as universidades e institutos do país tenta retirar o peso ideológico da ação, após especialistas apontarem a inconstitucionalidade do corte com intenção de retaliação por motivo ideológico. Apesar de ainda necessitar de uma análise maior, o corte de 30% no orçamento da Ufes pode significar mais perdas em segurança, energia e até em saúde, uma vez que o maior campo de estágio da universidade é o Hospital das Clínicas.
Após pronunciamento do Ministério da Educação sobre o corte, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado se manifestou em suas redes sociais, afirmando que a mesa diretora da Casa tomará providências para tentar reverter o caso.
O Ministério da Educação anunciou que cortará 30% dos recursos financeiros de instituições de ensino superior do Brasil, incluindo a UFES. A mesa diretora da Assembleia vai ajuizar uma ação para proteger os recursos destinados para o Espírito Santo.
— Erick Musso (@MussoErick)
De acordo com a Folha de São Paulo, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, deu a entender, em entrevista ao Estado de São Paulo, que se tratava de uma retaliação a “atividades políticas ocorridas dentro dessas unidades”, que o próprio ministro chamou de “balbúrdia”, além de afirmar que considera essas três universidades, instituições de baixo rendimento acadêmico.
“A universidade deve estar com sobra de dinheiro para fazer bagunça e evento ridículo. A lição de casa precisa estar feita: publicação científica, avaliações em dia, estar bem no ranking”, disse o ministro ao jornal Estado.
Apesar de dizer que o rendimento dessas universidades é baixo, os indicadores mostram o contrário. Segundo levantamento feito pelo Ruf (Ranking Universitário Folha), as três instituições ficaram entre as 20 melhores universidades do país. E, de acordo com a Folha, a plataforma de produção acadêmica Web of Science, as três estão entre as 11 instituições brasileiras que mais aumentaram o número de artigos feitos entre 2008 e 2017.