
A entrevista foi concedida para a seção “Minha História” do Portal, onde personalidades contam detalhes de sua vida pessoal.
Hipolito contou à reportagem que se descobriu homossexual após conversar com um amigo de alojamento na Seleção Brasileira, assumidamente gay. O atleta contou que sofreu preconceito desde de quando era criança, quando um treinador cobrou “mudança na sua educação” à sua mãe.
“Fui criado na igreja, tenho uma tatuagem de Jesus crucificado no braço, até hoje frequento cultos da Bola de Neve todas as quintas-feiras. Eu tinha vergonha porque na minha cabeça ser gay era ser um demônio, um ser amaldiçoado que vive em pecado. Quando eu tinha uns dez anos, um treinador foi dizer para a minha mãe que ela devia mudar minha educação para que eu não virasse gay. Ela veio falar comigo, preocupada. Eu era muito inocente, nem sabia o que era isso. Mas isso me marcou”, contou.
Em outro ponto da entrevista, Hypolito disse que o maior problema seria como contar à família sobre sua sexualidade e citou os problemas financeiros que enfrentava dentro de casa.
“Quando passei a entender melhor a minha sexualidade, meu maior problema sempre foi como iria contar para a minha família. As pessoas não sabem, mas a gente tinha uma origem humilde, do interior e religiosa. Eles nunca entenderiam. A gente passava por tanta dificuldade em casa… nem sempre tinha o que comer, chegamos a ficar meses sem energia elétrica. Como é que eu ia levar mais um problema para eles?”, afirmou.
Diego Hypolito falou ainda sobre o período que passou por terapia para superar um período de depressão, por ser pressionado para assumir sua sexualidade. O atleta passou ainda por um relacionamento abusivo, quando foi pressionado pelo então namorado a assumir que era gay para a sua família.
“Eu estava com muita vergonha de encarar a minha família. Eu me afastei deles por quase um ano, cheguei a perder um Natal por causa desse clima ruim”, disse.
Por fim, o atleta dá conselhos a quem se “sente prisioneiro” em assumir a sua sexualidade e afirma: “Nunca mais vou deixar de viver o que eu sou. Eu sou gay”.
