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Acidentes com patinetes provocam fraturas e preocupam cidades

Andando pelas ruas de Vitória é fácil identificar pessoas se movimentando pela cidade seja para trabalho ou diversão com os patinetes elétricos. Os ...

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 Jovem anda de patinete pelas ruas de Vitória (Foto: Leone Iglesisas/AT)

Andando pelas ruas de Vitória é fácil identificar pessoas se movimentando pela cidade seja para trabalho ou diversão com os patinetes elétricos. Os primeiros equipamentos para uso compartilhado chegaram ao município no início deste ano e, atualmente, a frota conta com cerca de 400 desses patinetes de duas empresas autorizadas a operar esse serviço.

Além de Vitória, pelo menos outras 13 cidades brasileiras também contam com esse tipo de serviço – oito delas capitais (apenas na região Norte ainda não há esses equipamentos para uso compartilhado). Junto ao crescimento da utilização dos patinetes tem aumentado também o número de acidentes – alguns mais graves com fraturas e traumatismos.

Um militar do Exército, de 46 anos, atravessa, de patinete, uma faixa de pedestres na avenida Brasil, nos Jardins, em São Paulo, quando foi atropelado por um veículo às 5h30, da manhã de terça-feira (7). O motorista fugiu sem prestar socorro e o militar fraturou a perna direita e sofreu ferimentos na cabeça, sendo necessário passar por cirurgia para estabilizar as lesões na perna.

No Rio de Janeiro, a deputada estadual Rosane Felix (PSD) propôs a criação de uma lei para tornar obrigatório o uso de capacete para quem anda de patinete elétrico, na cidade. A parlamentar sugeriu a nova legislação depois de ter se acidentado em um desses equipamentos durante a Marcha Pela Vida, realizada no último domingo (5), em Copacabana. Ela quebrou três dentes e precisou passar por cirurgia na boca.

Em Vitória, a universitária Bárbara Lempé Alonso Scardua, de 24 anos, rompeu os ligamentos do joelho esquerdo, em 26 de fevereiro, descendo de patinente uma ladeira na Ilha do Frade. Ela relatou que era a primeira vez dela andando no patinete e, quando freou, foi jogada para frente, caindo sobre o joelho. Ela precisou ficar três semanas sem trabalhar e estudar por conta do tratamento após o acidente.

“Tive que imobilizar a perna toda e ficar de muletas até a cirurgia, que foi dia 9 de abril. Fiz fisioterapia durante todo esse tempo. Depois disso, fiquei 14 dias de repouso, andando pouquíssimo com auxilio de muleta. Depois fui gradualmente parando de usar a muleta e retornei à fisioterapia. Faz um mês da cirurgia e ainda não consigo andar por muito tempo, nem ficar muito tempo em pé, porque acaba causando dor e inchaço na área da cirurgia. Ainda preciso colocar gelo três vezes ao dia também”, explicou. 

O ortopedista Thanguy Friço alertou para risco de fraturas causadas por quedas de patinetes  (Foto: Divulgação)Segundo o médico ortopedista Thanguy Friço pacientes têm chegado ao seu consultório relatando fraturas, após quedas com o patinete. O especialista alertou para os riscos de lesões provocadas por quedas desses equipamentos.

“Os principais riscos quando cai são de entornse de tornozelo, lesões de ligamento de joelho. Pode ter também traumatismo craniano e na região do pescoço. Também tem as escoriações e
as fraturas de punho, porque a pessoa cai apoiando a mão para se proteger por isso são fraturas muito comuns também. Esses patinetes chegam a 20 a 25 km/h. Se uma pessoa cai e bate a cabeça pode morrer. Tivemos casos nos Estados Unidos”, disse ele.

Friço ressalta ainda que há riscos também para pedestres que podem ser atropelados por quem está no patinete e até para ciclistas que podem colidir em algum equipamento que tenha caído no chão depois de ser utilizado e deixado estacionado em algum ponto da cidade.

O médico destacou que fora do Brasil empresas que prestam serviço de compartilhamento de patinetes têm estudado alugar capacetes para quem for andar nesses equipamentos. “Se você está começando a se familiarizar com o patinete o ideal é andar devagar para ver como é, a forma como ele se movimenta e o freio”, orientou Friço.

Regras para uso

O serviço de compartilhamento de patinetes elétricos chegaram a Vitória em fevereiro deste ano. Atualmente, duas empresas – Yellow e Grin – estão autorizadas a alugar os equipamentos na cidade. Por conta da chegada desse meio de transporte alternativo, a prefeitura criou regras para o uso dos patinetes. Vitória foi uma das primeiras cidades no Brasil a fazer essa regulação.

As regras foram estabelecidas, em 3 de abril, por decreto. Uma das normas é que os patinetes podem circular a, no máximo, 20km/h nas cicloviase a 6 km/h nas calçadas. A utilização nas vias, fora da ciclovia, é proibida.

Além disso, foi determinado que menores de 16 anos estão proibidos de alugar os equipamentos. Já as reparações por danos aos usuários, pedestres ou ao município serão custeadas pelas empresas, que deverão contratar seguro. A empresa terá de divulgar os valores do seguro para o usuário.

Sobre os locais de estacionamento dos patinetes – assim como das bicicletas sem estação –, o decreto diz que os equipamentos devem ser colocados em locais “sem prejuízo da livre circulação de pedestres, sob pena de punição”. As duas empresas têm 60 dias para se adequarem as normas.

Para alugar o patinete da Yellow é preciso pagar R$ 2,50 pelo desbloqueio, mais R$0,50 a cada minuto de uso. Já o equipametno da Grin custa R$ 3 para desbloqueio, tendo o 1º minuto de uso livre, e R$ 0,50 por minuto adicional.

Empresas não informam número de acidentes

A Yellow e a Grin foram procuradas pela reportagem do Tribuna Online e questionadas sobre o número de acidentes registrados em Vitória com os patinetes. As empresas, porém, responderam que não divulgam esses dados.

As empresas destacaram que seguem todas as regulamentações do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para operar os seus equipamentos. A Yellow frisou ainda que a idade mínima para alugar o patinete é de 18 anos e isso está descirto nos termos de uso, que todos os usuários precisam aceitar antes de alugar o equipamento.

“O pedestre é sempre prioridade, por isso a Yellow também orienta que os usuários estacionem os patinetes em um dos pontos privados parceiros ou em qualquer local da área de atuação, contanto que tome cuidado para não atrapalhar o fluxo de pedestres”, diz trecho da nota.

A Yellow ainda explicou que ações esporádicas de distribuição de capacetes também são feitas pela empresa, “mas é importante lembrar que esse item de segurança é de responsabilidade do usuário”, destacou.

Leia abaixo orientações de segurança da Yellow para evitar acidentes

– Antes de sair, planeje o caminho.

– Use sempre o capacete bem preso à cabeça e ajustado adequadamente.

– Não trafegar com mais de 1 pessoa;

– Dê sempre preferência ao pedestre. Lembre-se: o pedestre é o mais vulnerável. É obrigação de todos cuidar da sua segurança.

– Não use celular nem fone de ouvido enquanto conduz a bike ou o patinete. Esteja atento a sua condução.

– Respeite sempre os semáforos e as sinalizações de trânsito.

– Jamais conduza a bike ou o patinete se houver ingerido álcool.

– Segure sempre o guidão com as duas mãos.

– Esteja atento a irregularidades nas vias, como buracos, bem como galhos e árvores que possam oferecer riscos no seu trajeto.
 

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