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Emoções do maestro da superação

Em 68 anos de carreira, o maestro paulista João Carlos Martins, 78, teve de abandonar o piano por várias vezes e precisou se reinventar. Foram 24 ...

João Carlos Martins vai conversar com o público após o espetáculo

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Em 68 anos de carreira, o maestro paulista João Carlos Martins, 78, teve de abandonar o piano por várias vezes e precisou se reinventar.

João Carlos Martins vai conversar com o público após o espetáculo (Foto: Divulgação/Ale catan)

Foram 24 cirurgias. Enfrentou tumor no pescoço e perda de dedo ainda criança, depois distonia cerebral, acidentes que provocaram lesões nas mãos e no cérebro e LER. Um dos episódios foi quando, já famoso como pianista, jogava futebol no Central Park, em Nova Iorque (Estados Unidos), e caiu, atingindo o nervo ulnar e provocando atrofia em três dedos.

Também sofreu uma pancada na cabeça em 1995, durante assalto na Bulgária, em que rompeu a ligação entre seu cérebro e sua mão direita. Mas nada o afastou da música.

E essa relação de amor entre o artista e sua arte é mostrada na peça “Concerto para João”, que estreia sexta-feira (17) em Vitória, com a presença do maestro, que participará de bate-papo com o público.

“A gente queria discutir isso, a partir desse homem que enfrentou tantas dificuldades para continuar sendo pianista, se submetendo a diversos tratamentos terríveis e cirurgias. Inclusive, uma delas é o ponto de partida da peça”, conta o ator e diretor Cassio Scapin.

“Eu queria lançar um outro olhar” – Cassio Scapin, ator e diretor

O ator e diretor Cassio Scapin faz o papel do maestro (Foto: Divulgação/Ale Catan)

AT2: O espetáculo é uma homenagem ao maestro João Carlos Martins?
Cassio Scapin: João sempre foi um ícone, primeiro como pianista e depois como maestro. A vida dele é uma história genial, de superação, da relação que o artista tem com sua arte. A peça não veio na intenção de fazer uma homenagem, mas se torna uma à medida que é realizada e as pessoas a entendem assim.

É uma peça para que as pessoas entendam um pouco mais a relação de um artista com o seu trabalho. Neste momento do País, é muito importante que as pessoas entendam como nós estamos tentando nos reinventar como artistas, para manter nosso ofício de pé. 

Há espaço para curiosidades sobre a vida do maestro na peça?
O espetáculo traz uma nova carga de entendimento sim, como o grau de religiosidade do maestro. Ele é um superdevoto cristão! E tem a questão íntima sobre a dificuldade dele de não poder realizar seu ofício.

Como a história é contada?
Tudo acontece na cabeça dele, durante uma cirurgia. O espetáculo é uma digressão, ele vai para trás, volta ao presente e vai para o futuro. Não é cronológico, mas, ao mesmo tempo, tem um raciocínio lógico. 

Como foi o processo de construção?
Quando fui convidado pelo produtor (Carlos Mamberti) para dirigir, o texto não existia. Ele chegou com o Rodrigo Pandolfo, que fazia o maestro no início. Indiquei o Sérgio Roveri para ser o autor, com uma premissa: não me interessava a questão objetiva, biográfica da vida do maestro. Já tinha filme e notícias sobre a vida pública dele. Queria lançar um outro olhar.

Em janeiro, você passou a atuar no lugar de Rodrigo Pandolfo. Como foi essa transição?
Não teve transição. Tivemos que fazer uma substituição em 7 dias. (Risos) Não teve tempo de estudar o espetáculo com um diretor de fora. Para mim, é muito difícil essa esquizofrenia de estar no palco representando e, ao mesmo tempo, estar controlando para ver se o espetáculo está do jeito que você acha que tem que estar. Está sendo um novo processo de aprendizado.

O maestro acompanha a maioria das apresentações. Rola um frio na barriga?
Criamos intimidade. Ele é muito acessível, virou amigo. Já faz parte da trupe! (Risos)

Ele acompanhou de perto a construção da peça?
Não. O João viu a primeira leitura e depois assistiu à estreia. Foi muito emocionante para todos. Ele ficou muito mexido e falou que não sabia que havia passado por tudo isso. 

Seu personagem mais famoso foi o Nino, de “Castelo Rá-Tim-Bum”. Gosta de ser lembrado?
É muito legal, porque é um personagem positivo. Quando você faz algo que as pessoas te falam sempre “Muito obrigado por ter sido significativo na minha formação” é um prazer. Recentemente, fizemos o espetáculo “Admirável Nino Novo” para falar sobre a transição do tempo.

Como você lida com o tempo?
Quem não se preocupa em envelhecer no Brasil? Envelhecer no Brasil é quase uma maldição. Então é claro que me preocupa! Estou falando, principalmente, de questões básicas de sobrevivência. Envelhecer aqui não é para fracos.

SERVIÇO:
“Concerto para João”

O que é: Drama musical com Cassio Scapin, Erica Montanheiro, Ando Camargo e Duda Mamberti. Todas as sessões contarão com a presença do maestro João Carlos Martins, que fará bate-papo com o público após o espetáculo, como parte do Circuito Unimed
Quando: Sexta (17) e sábado (18), às 20h, e domingo, às 18h. No domingo, a sessão contará com intérprete de Libras.
Onde: Teatro da Ufes (Av. Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras, Vitória)
Ingresso (meia): Mezanino a R$ 25 e Térreo a R$ 30
Venda: Site tudus.com.br e na bilheteria, até sexta, das 15h às 20h, e nos dias das sessões, a partir das 15h.
Clas.: Livre
Inf: 3376-0933

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