A amplitude das manifestações contra a política educacional de Jair Bolsonaro preocupou governistas ligados a Olavo de Carvalho que veem risco de “despertar da oposição”.
O grupo afirma que a maioria dos que foram às ruas é militante ou atrelada a sindicatos, mas diz que, se antes a esquerda estava “perdida, desmobilizada e desunida”, agora ela encontrou uma pauta que abre caminho para “reagrupamento e coesão” – e, portanto, para fazer contraponto efetivo ao presidente.
Leite derramado – A análise de parlamentares e auxiliares do presidente no Planalto é a de que houve erro grave no modo como o ministro Abraham Weintraub (Educação) comunicou o bloqueio de verbas. Para a população, avaliam, a impressão que fica é a de que não houve critério técnico.
Carimbo – Os olavistas, porém, acham que Bolsonaro acertou ao afirmar que os que foram às ruas são “massa de manobra”. Dizem que era preciso apontar vínculo entre os manifestantes e um projeto de poder.
Alvo comum – Alas divergentes do PSL se uniram para atacar Onyx Lorenzoni (Casa Civil). Tanto os deputados ligados ao líder do partido na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO), como os próximos ao Major Vitor Hugo (PSL-GO), líder do governo, apontam erros e “incoerências” do ministro.
Alvo comum 2 – Onyx entrou na mira de parlamentares da sigla após desmentir recuo comunicado pelo próprio Bolsonaro a deputados sobre o bloqueio de verbas na educação. Uma ala critica a falta de articulação do ministro, outra diz que ele tenta convencer o presidente a abandonar sua base e se aproximar do centrão.
Levanta… – O cenário de fraqueza econômica, instabilidade política e aprofundamento das apurações contra Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) fez a palavra “impeachment” voltar a circular nos Poderes. Não com ares de conspiração. O tom é de lamento pela incapacidade do governo de dar vazão a pautas positivas.
…E anda – No Legislativo e no Judiciário, diz-se que o País pagaria um preço muito alto no caso de um fracasso precoce de Bolsonaro, o primeiro eleito após a queda de Dilma. Até o centrão diz que o país está cansado de soluços e que é preciso exaurir alternativas.
Sinais… – Membros do Ministério Público do Rio apostam que investigadores do caso Flávio Bolsonaro contam com um delator ou testemunha. Essa versão também chegou a cortes superiores.
…De fogo – Promotores que não atuam no caso avaliam que os dados da quebra de sigilo serão usados apenas para corroborar ou derrubar teses que o Ministério Público (MP) já havia formulado.
Peso pesado – Um grande volume de documentos foi anexado ao processo. A aposta é a de que ao menos uma parte dos dados do senador e dos outros alvos da quebra de sigilo já chegou ao MP.
Registre-se – Paulo Guedes (Economia), que tem feito gestos à política pela reforma da Previdência, nega ter dito que o Parlamento quer que Bolsonaro termine como Dilma. “Disse que os contingenciamentos são consequência da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal), que acabou provocando o impeachment. Não que o Congresso quer fazer isto.”
Cheguei – Ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e ex-ministro, Armando Monteiro se juntou ao grupo que não aprova a forma como o governo avança sobre o Sistema S. Credita-se a estes nomes o fôlego recobrado por Robson Andrade, autorizado pela Justiça a voltar à entidade.
Visitas à Folha – Claire Fallender, diretora global do time LeadYoung Ashoka, visitou a Folha nessa quinta-feira (16). Estava acompanhada de Anamaria Schindler, diretora de Integração Global, Flávio Bassi, diretor de Empatia e Infância, Reinaldo Adri e Ana Paula Fonseca, assessores de imprensa.
Giovanni Pengue Filho, diretor-geral da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), também visitou a Folha nessa quinta. Estava acompanhado de Nelson Nunes, assessor de imprensa.
Tiroteio
“O PT pode ir para casa. Vê-se que a verdadeira oposição ao governo está dentro do Palácio do Planalto.”
Do deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), sobre a desarticulação que impera entre o partido do presidente, o Planalto e as demais siglas.