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Deputados temem cenário de ingovernabilidade

Um grupo de 15 senadores sentou-se à mesa, na quarta-feira (22), com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), para conversa de tom grave. ...

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Um grupo de 15 senadores sentou-se à mesa, na quarta-feira (22), com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), para conversa de tom grave. Motivo: a perspectiva de um cenário de ingovernabilidade. O encontro ocorreu após acirramento do embate entre Planalto e Congresso. A equação combina economia estagnada, sob risco de recessão técnica, mais impasse político, desarticulação na comunicação e desencanto precoce do mercado com a capacidade de entrega da equipe econômica.

Prepara – O encontro, noticiado pelo Estado de S. Paulo, uniu senadores da esquerda à direita, todos com larga experiência. O grupo formulou cenários baseados na premissa de que Jair Bolsonaro não vai se render a uma guinada que reposicione seu governo como de centro – e de que o País ruma ao impasse.

Pessimistas – O clima em Brasília foi agravado nos últimos dias pela avaliação de que a equipe de Paulo Guedes também está perdida, sem conseguir implementar a retomada da economia. Tornou-se corrente a avaliação de que a reforma da Previdência não será suficiente para capitanear uma recuperação.

Vida real – A sensação é de que falta a Guedes um plano de incentivo ao emprego e de redução do endividamento, fatores de forte impacto social e que, descontrolados, deságuam em insatisfação.

Contra tudo e todos – Do lado da equipe econômica, a preocupação é com o desarranjo da relação com o Parlamento, indispensável para a aprovação não só da reforma da Previdência, como da tributária e das privatizações – todas essenciais ao plano de Guedes.

Retrato em branco e preto – A conversa dos senadores ocorreu pouco antes de o embate entre o Planalto e partidos de centro e centro-direta na Câmara ter atingido o ápice, durante votação da medida provisória que reorganizou o organograma da Esplanada.

Sem saída – Não houve definição de rumo, mas diagnósticos: 1) o vice, Hamilton Mourão, não tem a confiança do Congresso, 2) Bolsonaro não é do tipo que combina com renúncia, 3) a crise é intermitente e seguirá aos soluços; 4) os atos deste domingo (26), qualquer que seja o resultado, tendem a piorar o clima.

Grato – No dia seguinte à mobilização pró-Bolsonaro, o governo vai contemplar categoria que atua para inflar os atos, os caminhoneiros. Na segunda-feira (27), a declaração eletrônica que amplia o controle do piso do frete entra em teste no ES.

Estica e puxa – Parlamentares tentam convencer a equipe econômica a usar o Fundo de Participação dos Estados como principal critério de divisão das verbas da exploração do petróleo, o chamado fundo social. Querem que dois terços dos recursos sejam partilhados dessa maneira.

Cobertor curto – A repartição foi prometida aos governadores por Paulo Guedes, mas o critério ainda está em debate. A equipe econômica quer usar parte da verba para ressarcir os estados exportadores atendidos pela Lei Kandir.

Cobertor curto 2 – Parlamentares lembraram o governo de que o FPE atende prioritariamente Norte, Nordeste e Centro-Oeste –regiões que podem render votos no Congresso. A expectativa é que sejam distribuídos R$ 6 bilhões.

Linha cruzada – A equipe econômica está preocupada com a MP 871, que fecha o cerco a fraudes no INSS. Por pressão de sindicatos, ela corre o risco de caducar. O embate em torno da medida provisória que reorganizou a Esplanada agravou o cenário.

Peso pesado – Rodrigo Maia (DEM-RJ) bateu o martelo. Avisou que Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) vai relatar a reforma tributária na comissão especial.

Visita à Folha – O apresentador Luciano Huck visitou a Folha nessa quinta-feira (23), onde foi recebido em almoço, a convite do jornal. Estava acompanhado de Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo, e Leandro Machado, cofundador do movimento Agora.

Tiroteio

“A história ensina: manifestação de rua, mesmo a favor, acaba mais cedo ou mais tarde tendo como alvo o próprio governo.”

Do deputado Aécio Neves (PSDB-MG), sobre os atos convocados por aliados do presidente Jair Bolsonaro em defesa da atual gestão.

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