Cansado de passar por constrangimentos atribuídos à sua aparência, o guia de trilhas Patrick Martins Castelo, de 33 anos, usou uma rede social para fazer um desabafo na manhã desta terça-feira (21). Segundo Patrick, ele foi impedido de embarcar em um ônibus do Transcol, por causa do estilo do cabelo e das roupas.
Ele estava em um ponto de ônibus na Enseada do Suá, em Vitória, e precisava ir para casa, em José de Anchieta, Serra.
“Não é a primeira vez que sofro preconceito por usar dread – um estilo de cabelo – roupas largas e mochilão. Diversas vezes as pessoas mudam de calçada quando me veem, por exemplo. Já passei por algo semelhante também ali na região da Praça do Papa, com ônibus, mas hoje não aguentei. Entrei na frente do Transcol e gravei o vídeo”, contou.

O guia contou que deu sinal para o ônibus da linha 515, Terminal de Laranjeiras, e o ônibus chegou a parar no ponto, atrás de outros coletivos. Ao perceber que o motorista não abriu a porta, ele bateu no vidro.
“O motorista sinalizou que não abriria a porta, mesmo estando parado no ponto e com outros ônibus na frente, impedindo que ele arrancasse. Quando comecei a fazer o vídeo, os passageiros começaram a me xingar, me chamaram de drogado, que era para eu sair da frente. Chamei a polícia e o motorista abriu a porta do meio para algumas pessoas descerem”, disse.
Segundo Patrick, o atendente do Ciodes orientou que ele procurasse uma delegacia. “Cheguei a ir, mas não fiz o Boletim de Ocorrência, pois os policias me explicaram que não aconteceu crime. Agora, estou conversando com meus advogados, mas ainda não decidi se vou mover ação na Justiça contra a empresa e o motorista do ônibus.
Por nota, a assessoria da Ceturb-ES informou que “os motoristas são orientados a tratar os usuários do Sistema Transcol de forma cordial em todas as situações do a dia a dia. A Companhia já solicitou que o consórcio operador apure as circunstâncias do fato para que as medidas cabíveis sejam adotadas”.
O GVBus enviou uma nota e explicou que “a empresa responsável pelo ônibus disse que repudia todo tipo de preconceito e tratamento ruim para com os clientes. Informou ainda que todos os seus funcionários terão um reforço sobre o tema nos treinamentos. Sobre o motorista em questão, ele será penalizado e, em caso de reincidência, poderá ser demitido por justa causa”.
