- Vitória, ES 31°C

Vitória 31°C

Anúncio
Tribuna Livre

Primeira estrada do Estado completa um século

Ao transitar pelas inúmeras estradas de rodagem que interligam os mais remotos rincões do nosso Estado, pouca ou nenhuma memória nos vem à tona para ...

Adriano Lima Neves

Última atualização

Adriano Lima Neves  (Foto: Tribuna Livre)Ao transitar pelas inúmeras estradas de rodagem que interligam os mais remotos rincões do nosso Estado, pouca ou nenhuma memória nos vem à tona para nos remeter a um passado relativamente recente, de apenas 100 anos, quando não existia sequer uma só estrada por essas bandas.

Apesar da maioria dos leitores já ter ouvido falar na Rota Imperial São Pedro de Alcântara, que vai de Santa Leopoldina até Irupi, no trecho capixaba, e dali até Ouro Preto, em Minas Gerais, ou conheça a história dos bravos tropeiros que cruzavam o nosso estado fazendo circular a riqueza daqueles tempos remotos, nenhum desses caminhos existentes até o dia 12 de maio de 1919 podia ser chamado de “estrada de rodagem”.

A inauguração dessa nova era do transporte em nosso Estado se iniciou exatamente há um século, quando foi inaugurada a primeira rodovia intermunicipal para o trânsito de caminhões e automóveis do Espírito Santo: a rodovia Bernardino Monteiro, que liga Santa Leopoldina a Santa Teresa.

O início desse marco da história capixaba se deu em 11 de março de 1917, através de uma parceria público privada firmada entre o governo de Bernardino Monteiro e quatro grandes empresas comerciais de Santa Leopoldina e Santa Teresa: J. Reisen, Vervloet Irmãos & Cia, Franz Muller & Cia e Ewald & Cia.

Três meses após, mesmo com todas as limitações da engenharia da época, já estava pronto o primeiro trecho da chamada Serra do Freitas. Nesse primeiro trecho, conhecido como “Nove Horas”, foi construído o Viaduto Scapardini, um desafio para a engenharia da época, batizado em homenagem ao Cardeal Dom Ângelo Jacintho Scapardini, autoridade católica de origem italiana, que visitou as obras da estrada em setembro de 1917, trazendo ânimo espiritual aos trabalhadores, principalmente os italianos de devoção católica que trabalhavam naquela obra.

Nesse mesmo mês, foram importados da Europa dois caminhões Sauer, chegados ao porto fluvial de Santa Leopoldina em canoas, e que em janeiro de 1918 já alcançavam o quilômetro 11 da estrada, ajudando muito no ritmo dos trabalhos. Considerado o mais perigoso e difícil da obra, o trecho sinuoso conhecido como Serra do Alvarenga ladeava uma cascata que havia testemunhado muitas perdas de cargas e mulas, em função das quedas ocorridas no abismo, principalmente em épocas de chuva intensa.

Hoje essa cascata é conhecida como Cachoeira Véu de Noiva, mas à época da construção dessa estrada ficou conhecida como Cascata do Lençol, em função da necessidade de se cobrir com um lençol para não se molhar, dada a nuvem de água que se desprendia da volumosa queda d’água.

Esses primeiros viajantes já atingiam a Serra dos Polacos, a última serra antes de chegar a Santa Teresa, a bordo de um ônibus conhecido como Alpino, que iniciou esse serviço de transporte em junho de 1918.

E em 15 de agosto de 1918, finalmente os primeiros automóveis já conseguiam chegar a Santa Teresa, causando furor na população daquela cidade, tamanha a alegria de saber que se podia ir de uma cidade a outra a bordo de um confortável automóvel.

Finda essa pioneira obra, que ficou a cargo do engenheiro Henrique de Novaes, o governador Bernardino Monteiro a inaugura em 12 de maio de 1919, em uma festa de gala cujos convidados puderam saborear uma sobremesa desconhecida para a maioria àquela época: o sorvete. Há apenas 100 anos…

Adriano Lima Neves é administrador de empresas e escritor

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.