O futebol capixaba está na Série D do Brasileiro desde a criação da divisão, em 2009. Para escapar desse fundo do poço, um dos caminhos é seguir a receita de sucesso de times que conseguiram o acesso recentemente.
Operário/PR, São Bento/SP e Volta Redonda/RJ subiram de divisão há pouco tempo e dão dicas a Vitória e Serra, representantes do Estado na atual Quadradona.
Nesta edição, o Vitória começou bem a sua caminhada, vencendo o Sobradinho/DF por 2 a 0, no último sábado, no Kleber Andrade. Já o Serra perdeu para o Brasiliense por 1 a 0, no Estádio Boca do Jacaré, em Taguatinga/DF.
Campeão da Série D em 2017 e da Terceirona em 2018, o Operário/PR atualmente já disputa a Série B do Brasileiro.
Para subir, o “Fantasma”, como é conhecido, priorizou, a partir de 2014, o aumento de receita e o pagamento de dívidas. A diretoria mantém o técnico Gerson Gusmão desde 2016, além de ter 10 jogadores remanescentes do título da Série D de 2017, quando o time eliminou os dois representantes capixabas: Desportiva e Espírito Santo.
“Jogamos o Paranaense com o time que vai disputar o Brasileiro e contratamos jogadores pontuais. Gerson Gusmão sabe nosso sistema de trabalho. Outra coisa importante é pagar o salário sempre em dia”, ensina o presidente do Grupo Gestor do Operário, Álvaro Góes.

“Nós só tínhamos dívidas e, hoje, conseguimos feitos marcantes. Nem sempre vencer é tudo. Pagar dívidas e manter um clima extracampo é primordial”, afirma o presidente do São Bento, Márcio Rogério Dias.
Em 2016, o Volta Redonda levantou a taça de maneira invicta com o trabalho do jovem técnico Felipe Surian, hoje com 37 anos.
“Não adianta montar ‘minisseleção’ com os melhores jogadores do Estadual. Na Série D, você enfrenta outros estados. A maior dificuldade é a logística. A gente ia dois dias antes para os jogos fora e concentrava também em casa”, explica Surian.
Dicas seguidas à risca
A situação do Vitória tem similaridades com a história recente de Operário/PR e São Bento/SP, que conquistaram o acesso nas Quadradona do Brasileiro em 2017 e 2016, respectivamente.
Assim como os dois clubes, o Vitória também conta atualmente com uma diretoria formada por empresários e pessoas conhecidas na cidade, que estão pagando dívidas antigas do clube.
“Já pagamos R$ 1,8 milhão de dívidas e ainda falta pagar mais R$ 1 milhão. O clube é uma empresa. Se não der resultados positivos, não sobrevive. A saída é esta: andar com credibilidade, boa gestão e transparência”, explica o presidente do Conselho Deliberativo do clube, Antônio Perovano.
O Serra também segue alguma das dicas dadas pelas equipes que tiveram êxito na Série D. “Baseado no que o Volta Redonda destacou, nós também contratamos muitos jogadores de fora”, disse o presidente João Batista Piol.
A folha salarial de Vitória e Serra gira em torno de R$ 120 mil.
Experiências em acesso
Serra e Vitória disputam em 2019 a Série D do Brasileiro pela primeira vez. Mas o time alvianil conta no elenco com dois reforços que já sabem o que é conquistar o acesso para a Terceirona.
O atacante Rafael Pernão levantou o troféu de campeão com o Volta Redonda em 2016, de maneira invicta. “A estrutura conta bastante, mas o elenco é o primordial. O grupo tem de ser forte, não apenas os 11 titulares, e unido”, afirma Pernão.
A felicidade do lateral-direito Watson é mais recente. No ano passado, ele subiu com o Treze/PB, que foi vice-campeão: “Conseguir dois acessos seria maravilhoso!”. No Serra, o técnico Gian Rodrigues quase subiu com a Caldense/MG em 2015. O time eliminou o Rio Branco nas oitavas de final, mas caiu nas quartas, diante do Ypiranga/RS, nos pênaltis.
“Ficou a experiência em relação à montagem do elenco. No Serra, procurei montar um time com qualidade técnica, intensidade e filosofia de jogar da mesma forma dentro e fora de casa”, garante Gian.


Experiências em acesso