Vinte e um minutos do primeiro tempo, seu time perdendo por 3 a 0 fora de casa… Motivos para desligar a televisão ou o rádio, ou até mesmo ir embora do estádio não faltaram, mas o torcedor do Fluminense que não desistiu do time de guerreiros, na noite de domingo (05), acompanhou uma virada incrível sobre o Grêmio, em um jogo que já se coloca como candidato a melhor do Brasileirão, mesmo com apenas três rodadas de campeonato.
A vitória do tricolor carioca sobre o gaúcho por 5 a 4 fechou a terceira rodada da competição com chave de ouro. O roteiro teve de tudo: erro de ex-jogador ajudando o Flu, virada no segundo tempo, empate gremista no fim da partida e um gol de Yony González nos acréscimos, que valeu a primeira vitória e os primeiros pontos do Fluminense na competição.
“Foi um jogo de emoções conflitantes. Estava prestes a desistir de assistir logo após o terceiro gol gremista. Mas quando o Flu diminuiu para 3 a 2, sabia que não era pra duvidar do ‘time de guerreiros’. Quando virou o jogo, gritei tão alto que o vizinho reclamou. Quando fez o 5 a 4 vibrei, só que mais contido. Sabia que venceu ali foi o peso da camisa tricolor. O Fluminense é gigante e provou isso ontem (domingo)”, contou o publicitário Felipe Hoffmann, de 25 anos, torcedor do Flu que teve muito o que comemorar.
Campeão brasileiro em 1984 com o Fluminense, o ex-zagueiro Duílio Dias viu um jogo “atípico” para o futebol brasileiro, e que poderá servir como divisor de águas para o time no Brasileirão, desde que o tricolor mantenha o trabalho desenvolvido pelo técnico Fernando Diniz.
“Se entender que tem que continuar jogando dessa forma, sendo essa equipe que virou o jogo… Essa maneira de jogar, você pode utilizá-lo sim desde que o futebol seja vertical, para fazer gols. E não pode perder esse foco que foi criado e mantido durante o jogo”, comentou o atual treinador do Nacional de Muriaé/MG.
Votos para Abel e Barroca
Treinadores com perfis diferentes, Abel Braga e Eduardo Barroca estão nos holofotes, seja pelo lado bom ou ruim. Enquanto o experiente técnico do Flamengo vive um momento conturbado no clube, o treinador alvinegro, que faz seu primeiro trabalho em um time profissional, está em paz com a torcida após duas vitórias.

“Eu acho que as pessoas se cansam muito facilmente. Acredito que o Abel é excelente, tem tudo para conquistar a classificação (na Libertadores). Esteve à frente do São Paulo com um time alternativo. São correntes dentro do clube que querem ver ele fora”, opinou.
O vigilante Charles Barbosa, de 37 anos, lamentou o gol de empate sofrido pelo Flamengo no 15 minutos finais da partida. “Dói a cabeça dos flamengusitas”, afirmou ele, que disse estar confiante na classificação rubro-negra para próxima fase da Libertadores.
No Rio, o Botafogo venceu sua segunda partida em casa, 1 a 0 sobre o Fortaleza, e pulou para a sexta posição na tabela. Na visão do ex-zagueiro Mauro Galvão, o novo treinador alvinegro soube colocar para o time qual a briga da equipe na competição.
“O importante nesse caso é saber as tuas possibilidades e ser muito franco com o próprio grupo de jogadores, o que o Barroca tem feito. O Botafogo não vai lutar pelo título, vai lutar para fazer um bom campeonato. Ganhou os jogos que tinha que ganhar em casa, vai tentar roubar pontos fora, e está ganhando padrão de jogo”, afirmou.
O servidor público Paulo Fernando Vieira da Silva gostou das apresentações do alvinegro dentro de casa e elogiou o trabalho do novo treinador. Para ele, Barroca está conseguindo dar corpo ao time mesmo sem grandes contratações. “Ele foi pegando o que tinha e exigindo de cada jogador o melhor. Acredito que o Botafogo não caia para segunda divisão e vai disputar entre os 10 melhores do Campeonato Brasileiro”, analisou.
Caravela à deriva
Lanterna do Campeonato Brasileiro, o Vasco vive a pior situação entre os cariocas também nos bastidores. Ainda com Marcos Valadares como treinador interino, o clube demitiu na noite de domingo o diretor de futebol Alexandra Faria, mostrando que mais uma vez os problemas internos dificultam o trabalho dentro de campo.
“O futebol apresentado em campo pelo Vasco reflete como ele é nos bastidores administrativos: limitado e amador. O clube segue sem vice-presidente, sem diretor de futebol, sem técnico e sem sorte, porque a sorte vem com trabalho bem feito”, comentou o engenheiro químico Felipe Coutinho, de 27 anos, torcedor cruz-maltino.
No sábado (04), o time empatou com o Corinthians em 1 a 1 e somou o primeiro ponto no Brasileirão. Mas segue devendo e não dá sinais de que a situação vá melhorar nas próximas rodadas.
“O Vasco precisa de uma definição. Tem que definir um trabalho e ir até o final do campeonato. Se começar a ficar nesse problema de trocar treinador, jogador, diretor, começa a ficar numa situação perigosa, porque todo mundo fica em xeque, ninguém é bom e perde a confiança”, comentou Mauro Galvão, bicampeão brasileiro e campeão da Libertadores pelo time de São Januário.
A falta de definição no comando da equipe também é criticada pelo estudante de Ciências Contábeis, Ramon Cales, de 19 anos. Ele acredita que a demora na escolha do novo treinador pode gerar problemas no futuro da equipe. “O mercado de técnico no Brasil também não ajuda. O jeito é investir no (Marcos) Valadares mesmo ou contratar um técnico de fora mesmo para dar uma nova cara ao time”, disse ele.
