Uma maratona de sabores e novidades começa hoje na 5ª Feinbares, na Serra. Além de 30 expositores, a feira terá a presença dos chefs estrelados Dadá (BA) e Clóvis Ceará (CE).
Sob a coordenação geral do chef Gilson Surrage, a Feira de Negócios para Hotéis, Bares, Restaurantes, Padarias e Similares vai até quinta-feira e acontece na área gourmet montada no Steffen Centro de Eventos.
A programação inclui palestras e aulas-show variadas. A entrada custa R$ 30,00 por dia, sendo gratuita para membros do setor.
A baiana Aldaci dos Santos, 58, a chef Dadá, falou ao AT2 sobre alguns de seus segredos culinários. Amanhã, ela vai ensinar a receita de seu miniacarajé, que conquistou vários famosos.
AT2: É sua primeira vez aqui no Estado? O que você pode dizer da culinária capixaba?
Dadá: Estou maravilhada com a cidade, aqui tem muito axé! É minha primeira vez aqui. Já provei e aprovei a moqueca e estou me preparando para comprar mais moqueca e ficar preparadíssima para o evento.
AT2: Você vai mesmo ensinar os segredos do seu famoso acarajé?
Dadá: Não vou só ensinar o segredo, mas vou ensiná-lo com a alma, com amor. Dar a receita, todo mundo dá, mas, com alma, nem todo mundo faz. Meus segredos são os temperos, minha alma, meu amor e muito astral.
AT2: Muitas celebridades aproveitam a ida a Salvador para provar suas delícias. Quem você sentiu mais orgulho de receber?
Dadá: Eles são meus amigos, minha família. Foram tantos que passaram e se tornaram meus amigos, minha família… Jorge Amado, Caetano, Gil, Regina Casé, Jorge Fernando.
O Jorge Fernando mudou minha vida. Ele foi o primeiro diretor da Globo a ir ao meu restaurante e levou a Rita Lee. Eles ficaram sentados no fundo do quintal. Pensei que fosse a Vigilância Sanitária, porque eu não sabia quem eles eram. Eu não era chique, mas hoje eu sou! (Risos).
Jorge Fernando clareou meus caminhos, ele foi minha luz. Começou a mandar todos os artistas para o meu restaurante, e ele ficou conhecido. Todo mundo que gravava na Bahia vinha até meu restaurante para comer.
AT2: E qual é esse segredo que conquista tantos artistas?
Dadá: O tempero da Dadá e o sorriso da Dadá transformam as pessoas. A alegria está na alma. Meus clientes são minha família. Quando estão tristes, eles pegam avião e vêm dividir a tristeza com Dadá.
Gosto de falar que não sou chef, sou cozinheira com amor, que cozinha com alma. Amor é tudo. Esse é meu segredo.
AT2: Você é a favor de releituras de pratos tradicionais?
Dadá: Claro que sou a favor! Toda a minha cozinha é de raiz, veio da alma da gente, mas coloco um moderno junto. A comida de raiz é o tempero verdadeiro, tem energia de pai, mãe, avó, aquele axé, como se estivesse colocando os pés no chão.
Você pode reinventar, colocar um tempero diferente, tirar a cebola e colocar um gengibre, por exemplo. O que conquista é o cheiro, que traz a vontade de comer.
AT2: Tem chance do Tempero da Dadá abrir filial no Estado?
Dadá: Vender franquia, eu quero, mas não tenho tempo para cuidar. Amei a cidade, linda, gostosa, é como a Bahia, tem muitos bares. Aqui tem axé, tem astral, só falta o dendê, mas eu trouxe! (Risos)
AT2: Há muitos pratos que conquistam pela beleza, mas pecam no sabor. Até onde dá para ir com o conceito “comer com os olhos”?
Dadá: Sou contra essa coisa de comer só com os olhos e não ter sabor. Todas as comidas têm que ter visual e sabor. A banana-verde cozida tem visual, o caroço de jaca cozido tem visual e sabor. Moqueca de mamão-verde tem visual e sabor.
Não adianta colocar uma comida só com visual. Vai comer visual e isopor? Sou contra isopor! Quer ver a Dadá jararaca? Não gosto de pagar para comer mal. Odeio ir ao restaurante, sentar e a comida não prestar, ser ruim. Sou crítica.
AT2: Você defende muito os temperos na culinária. Como devem ser usados na gastronomia?
Dadá: Eles são a base de uma boa comida, mas tem que saber usá-los. Não é quantidade, é saber o limite daquela comida. Tô fazendo um quilo de galinha. Se colocar um só tomate, não dará gosto. É preciso ter limites. Se não tiver limites, você se torna uma louca.
A cozinha é isso: se não tiver limite, vamos para o brejo. Os temperos dão a transformação. O cliente vai para sua casa para comer aquele sabor perfeito. Não tem que só ganhar dinheiro, tem que agradar.


