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Regina Navarro Lins

O amor no cérebro

As descobertas científicas, que permitem saber como funciona o cérebro, cada vez mais contribuem para modificar a visão do amor e do sexo. Não vamos ...

Última atualização

As descobertas científicas, que permitem saber como funciona o cérebro, cada vez mais contribuem para modificar a visão do amor e do sexo. Não vamos mais tratar o sexo como algo incompreensível, como uma atração mágica, que não se entende.

Estamos começando a perceber que temos mecanismos em nosso cérebro que nos fazem sentir ou não atraídos por determinada pessoa.

Excitações diferentes

Examinando o cérebro de um homem, por exemplo, ao mostrar a ele a foto de uma mulher bonita e outra foto da mulher por quem ele está apaixonado, vão se perceber excitações diferentes, em locais diferentes. Mas não é somente em relação ao sexo.

A antropóloga americana Helen Fisher acredita que estamos vivendo uma revolução na medicina que pode modificar a face do amor.

Ajuda aos dependentes

Homens e as mulheres “doentes de amor” começaram a ser tratados com drogas que atuam como antídotos para algumas dessas substâncias químicas.

“Será que novos elixires podem afinal ajudar os ‘dependentes afetivos’ a romper parcerias insatisfatórias? Talvez os cientistas aprimorem sua compreensão da atração e do afeto durante este século e engarrafem poções de amor ou curas temporárias”, diz Fisher.

E acrescenta: “Se isso acontecer, podemos ter a certeza de que os pretensos amantes e os namorados abandonados e abatidos comprarão essas misturas em jarras — tanto para estimular a obsessão quanto para sufocar a paixão”.

Amizade, companheirismo e solidariedade

Hoje, para haver entendimento no amor, quando se procura a igualdade, é necessário ter a percepção do que a outra pessoa deseja e o que ela é. No passado havia a ideia de possessão e sacrifício pelo outro.

Embora existam pessoas ainda vivendo no passado, está surgindo uma nova dimensão do amor, onde há mais troca e a tentativa de um equilíbrio, sem sacrifícios.

Essa nova forma de amar, diferente da expectativa do amor romântico de sermos a única pessoa importante para o outro, terá como ingredientes principais a amizade, o companheirismo e a solidariedade.

Mágoas

Deixar de ser amado ou desejado afeta a autoestima, e as inseguranças reaparecem. A pessoa se sente desvalorizada, duvidando de possuir qualidades. E para piorar tudo, na maioria dos casamentos, homens e mulheres abrem mão da liberdade e da independência, tornando-se mais frágeis em caso de ruptura.

Assim, o parceiro rejeitado não é o único a sofrer. Quem não deseja mais permanecer junto, tem que, muitas vezes, limitar a própria vida para não provocar situações constrangedoras por conta das mágoas do parceiro.

Amigo não é algo menor

Na nossa cultura se acredita que ser amigo é algo menor do que ser namorado, amante ou cônjuge. Para a grande maioria, a amizade só tem importância enquanto se procura um par amoroso romântico. É como se fosse coisa provisória, descartável, que depois perde o valor.

Isso se comprova quando uma pessoa se afasta do grupo de amigos, e ouvimos como explicação que ela está namorando ou se casou. Todos encaram com a maior naturalidade o seu desaparecimento.

Amizade x Paixão

No amor da amizade, as trocas são desinteressadas e sinceras. O sociólogo italiano Francesco Alberoni distingue a amizade da paixão romântica.

Para ele, o enamoramento é êxtase, mas também sofrimento. E a amizade tem horror ao sofrimento. Os amigos querem estar juntos para serem felizes, se sentirem bem. Se não conseguem, tendem a se afastar, a pôr um pouco de distância entre eles.

Na paixão, podemos odiar uma pessoa. Na amizade não há espaço para o ódio. Se odeio um amigo já não sou seu amigo, a amizade terminou. Todos sabemos que nos relacionamentos amorosos não é bem assim…

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