
Apesar de ser incrível ser tão inteligente assim, nem tudo são flores, na opinião dele.
“O Brasil precisa dar mais valor aos talentos das escolas. O teste de inteligência não é um teste vocacional, mas para saber onde aquele aluno se encaixa melhor e, assim, desenvolver as suas aptidões. Isso pode direcionar um futuro, é algo que sempre existiu nos países desenvolvidos”.
Em entrevista por telefone, de Portugal, para A Tribuna, Fabiano de Abreu diz que os números sobre o QI dos brasileiros não correspondem à verdade, já que poucos se submetem ao teste – a média de QI hoje é 88 e o Brasil ocupa a 70ª posição no ranking mundial.
A Tribuna – Como descobriu que tinha inteligência acima da média?
Fabiano de Abreu – Fui uma criança muito calada, mas observadora. Quando jovem, um pouco revoltado com as coisas que aconteciam no País, liderava um grupo de metaleiros na escola, cheguei a ser convidado a me retirar da escola porque fazia protestos sobre tudo o que não concordava.
Era uma maneira que eu encontrava de me expressar. A escola via em mim grande potencial para a universidade federal e sugeriu um teste de QI, que fiz quando tinha 17 anos. E deu um resultado bastante elevado, mas na época não me importei com isso.
Por que decidiu se submeter a novos testes de QI?
Sempre tive o cognitivo muito apurado em relação ao que vai acontecer, até me disseram que eu tinha uma certa vidência, mas, na verdade, não é isso. É a minha percepção que é aguçada.
Sempre fui bom na criatividade da escrita, que tem a ver com lógica e angulação espacial, e em criar temas. Então, tudo isso me despertou a curiosidade de refazer o teste, só que desta vez com a psicóloga Roselene Espírito Santo Wagner, que não me apresentou números (QI), mas um resultado nomeando-me como “inteligência acima da média”.
Depois, fui procurar em São Paulo a neuropsicóloga Cristiane Costa Cruz, que é membro da Mensa – mais antiga e mais famosa sociedade de alto QI do mundo – e especialista em teste de inteligência: o resultado foi 99,9% de percentual, o que equivale a 1% da população mundial. Ela me sugeriu fazer a prova para entrar na Mensa internacional e fui aprovado.
E mesmo com esse QI tão elevado, você já faliu?
Eu tive de recomeçar a minha vida do zero, pois não era só estar quebrado, sem nada, mas estar negativo. Mas acredito que o que você propaga diante da sociedade, esse comboio social, e a forma como lida com as pessoas é que faz você. Eu tinha uma situação de vida muito boa e fiquei sem nada, mas meus amigos não viraram as costas para mim. É que quando você propaga coisas que vão além do dinheiro, você vira uma utilidade.
Você tem de ter algo para agregar à vida de outras pessoas. Me reergui usando a minha criatividade na criação e ganhei prêmio de Melhores do Ano por ser o assessor que mais criou personagens na história da imprensa – mais de 500.
Hoje, assessoro mais de 60 clientes, entre artistas, modelos fitness, cantores, jogadores de futebol, atores, políticos, cirurgiões, médicos, advogados e grandes empresas, uma delas de telefonia.
Inteligência em excesso pode ser um problema?
Eu sou muito emoção, e potencializo muito as coisas. E sou inseguro e disperso no que não me interessa.
Apesar de ter autoconfiança e autoestima enormes, tenho meus medos. Não posso errar, tenho de ser perfeito. Tenho uma ansiedade que você não tem ideia, me falta ar. Já cheguei até a tomar remédio. Os testes de QI me ajudaram, porque recebo orientações de psicólogos para controlar isso tudo. Medito e controlo a respiração.
Na sua opinião, qualquer pessoa pode alcançar sucesso profissional?
Eu tenho essa teoria e acredito muito nela. Não vê o Tiririca? Ele não é engraçado e nem criativo, o filho dele até é, mas ele não. E olha onde ele chegou!
O Brasil precisa dar mais valor aos seus talentos na escola?
Com certeza! Ao ignorar a oportunidade de estimular a inteligência em jovens aptos, no caso dos superdotados, o País desperdiça o potencial deles e os mantém em uma situação de invisibilidade social. O Brasil precisa dar mais valor aos talentos das escolas.
Por que decidiu propagar a importância do teste de QI?
Primeiro, a pedido da Mensa, pois a associação quer que mais pessoas se interessem em fazer esse teste.
A ideia é estimular pesquisas sobre inteligência e fomentar um ambiente de aprendizado mútuo entre os seus membros.
Depois, é porque eu tenho a mania de ajudar as pessoas desde pequeno, principalmente quem é pobre. Eu vivo muito na questão de fazer da minha vida e das pessoas ao meu redor uma coisa boa e feliz.
Quem é
Fabiano de Abreu
- Filósofo, empresário, pesquisador, poeta, escritor, jornalista e assessor de imprensa conhecido no Brasil, Portugal e em Angola.
- É autor dos livros “Viver Pode Não Ser Tão Ruim”, que tem versão em espanhol disponível on-line, e “Filosofando a Imprensa”, que será lançado ainda este ano.
- Como jornalista, possui mais de 15 colunas entre diversos jornais, revistas e sites. É dono da empresa MF Press Global e recebeu prêmios como o Brazil Films de cinema, jornalista revelação e Melhores do Ano.