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Educação 4.0

Estamos num divisor de águas para a educação no Brasil. Se já temos resultados catastróficos no mundo analógico, se não tomarmos providências, ...

Fernando Cobe é diretor de colégio de educação básica e de cursos técnicos.

Última atualização

Estamos num divisor de águas para a educação no Brasil. Se já temos resultados catastróficos no mundo analógico, se não tomarmos providências, aumentaremos em proporção geométrica nosso atraso no mundo digital 4.0. 

Nos próximos cinco anos, as mudanças nas exigências e nas formas de trabalho serão inimagináveis. A tecnologia 4.0, com ferramentas como: inteligência artificial , robótica , tecnologia 5G, impressão 3D ,empresas por aplicativos, etc, terão um efeito sobre o mundo bem maior do que a revolução industrial.

A educação precisa mesmo  formar alunos com habilidades e competências para empreender neste novo contexto. Um passo importante foi dado com a definição da nova BNCC. Duas importantes inovações estão apontadas. A primeira é a priorização das habilidades sócio emocionais. Das 10 habilidades gerais previstas na Nova BNCC, 4 são focadas nestas. A segunda aponta na direção da mudança da metodologia. Propõe que os alunos deixem de ser passivos para ativos na aprendizagem.

O professor deixe de ser o detentor do conhecimento para ser o facilitador da aprendizagem. Mudanças que mexem com paradigmas incorporados na cultura. Tem sido assim, professor na frente explicando a matéria. Aluno prestando atenção, fazendo exercícios massificados, com o objetivo de fazer uma prova teórica. 

Com as metodologias ativas, o aluno e o professor devem assumir novo papel. O objetivo é aprender com práticas que levem à solução de problemas e execução de projetos, que tenham associação com a realidade de sua comunidade. Com salas reversas e envolvidos em cenários desafiadores, os alunos integram-se com pró atividade e empreendem seu aprendizado.

O professor terá um envolvimento maior na preparação dos roteiros de aulas, dos cenários com problemas e projetos desafiadores e proposição de uma avaliação, mais abrangente envolvendo rubricas, para identificarem os avanços sócio emocionais. 

Precisamos formar empreendedores para o mundo digital 4.0, onde as profissões terão um novo perfil e exigirão novas habilidades, tais como, aprender a conviver com o erro, vê-lo como um processo de evolução, a criatividade para a inovação. As tendências apontam que todas as profissões serão afetadas, muitas deixarão de existir, inúmeras surgirão e não temos a menor ideia como serão. Os jovens devem estar preparados como empreendedores que associem estas novas tecnologias.

Uma importante decisão governamental será a adaptação do ENEM. Fica difícil ter uma prova nacional para avaliação de habilidades sócio emocionais. As bases de conhecimentos da educação básica são linguagens e matemática e suas tecnologias. A sugestão é ter uma prova nacional (Enem) abordando estas duas áreas. O aluno faria sua escolha do curso superior e faculdade pública de sua preferência. Seriam classificados os três primeiros. As faculdades aplicariam uma prova de ciências, específica do curso, para preenchimento das vagas. Exemplo: no curso de medicina, os três classificados no Enem fariam uma prova de ciências naturais e suas tecnologias.

No Enem, as questões devem ser bem contextualizados e com integração interdisciplinar. Se agirmos rápido nesta direção temos chance de não voltar a sermos homens da caverna.

Fernando Cobe é diretor de colégio de educação básica e de cursos técnicos.

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