Após ameaça de ataque armado a estudantes do campus de Goiabeiras, na Ufes, em Vitória, a segurança da universidade foi reforçada pela polícia Militar e Federal, além de vigilantes. O campus contou até mesmo com policiais de folga. Alguns deles, que tinham esta quarta-feira (19) de folga, foram realocados para trabalhar e garantir a segurança dentro da universidade.
Na terça-feira, prints publicadas na deep web de uma mensagem contendo ameaças a estudantes da Ufes circularam em grupos de Whatsapp. A mensagem dizia: “irei matar o máximo de esquerdistas, feministas, ‘viados’ (sic) e negros que encontrar pela minha frente”. O autor afirmava que realizaria ataque nesta quarta-feira (19).
Por conta disso, a rotina da universidade foi alterada. Tanto que o campus amanheceu vazio, apesar das aulas e atividades administrativas não terem sido canceladas. Por medo, muitos alunos decidiram não ir à universidade. Professores também, na noite de terça, cancelaram aulas e fizeram comunicado aos estudantes por e-mail, segundo alguns universitários.
Mesmo assim, houve quem foi ao campus. Esse foi o caso do universitário Diego Rodrigues. Ele é estudante de Engenharia Mecânica e almoçou no Restaurante Universitário (RU).
“Comemos hoje aqui tranquilo e de tarde temos aula. Não estou com medo. Acredito que se fosse para ter um ataque, as pessoas não anunciariam”, disse o estudante de 21 anos de idade.
O também estudante de Engenharia Mecânica Vicenzo Rizzi tem a mesma opinião de Diego acerca das ameaças. “Acho que a motivação da pessoas que as fez é muito irreal. Não acho que vá acontecer algo”, opinou o jovem de 19 anos.
No RU, o reflexo das ameaças era perceptivel. Por volta do meio-dia desta quarta, o restaurante estava praticamente vazio. Exemplo disso é que não haviam as tradicionais filas que se estendem ao longo do prédio no horário do almoço.
Ali perto, na Biblioteca Central, o movimento pacato também chamava a atenção. “Inicialmente, hoje seria um dia em que a biblioteca estaria lotada, principalmente porque estamos em fim de semestre. Mas, com essa ameaça de ataque, está tranquilo”, disse uma funcionária.
Por conta disso, a Ufes alterou o horário de funcionamento da biblioteca. O expediente será até as 19h. Em dias comuns, o horário de funcionamento vai até 21h.
Outro prédio vazio que refletiu o medo da comunidade acadêmica com o suposto ataque foi o IC III. Sem aulas, o edifício não contou com atividades. No local, apenas profissionais responsáveis pela limpeza do espaço. “Hoje era pra a gente fazer a limpeza do prédio, mas ninguém veio. Imagina mulheres faxinando com o prédio deserto?”, questiona a profissional.
Matrícula
Houve quem, mesmo em meio ao receio de ataque armado, não teve alternativa e precisou ir à Ufes nesta quarta-feira (19). Foi o caso dos estudantes aprovados no Sisu/Ufes 2019-2. As matrículas começaram na segunda (17) e encerram na quarta. A matrícula é presencial e acontece no prédio ED V, próximo à Biblioteca Central, no campus de Goiabeiras.
O jovem Renan Ferrari, 18, precisou sair de Afonso Cláudio, cidade localizada na Região Serrana do Estado, para se matricular na Ufes. No próximo semestre, ele iniciará o curso de Medicina.
“Para mim, que não sou de Vitória, surgiu o dilema por causa desses ataques. Eu não sabia se eles iriam cancelar a matrícula. Acabei vindo, mesmo com medo, não vi nenhuma movimentação estranha”, disse ele.
Para o também futuro calouro de Medicina, Idelson Gadioli, 21, o surgimento de uma ameaça desse tipo no Estado, algo que tem acontecido em outras cidades do País, aumenta o pânico entre as pessoas. “É algo diferente quando acontece conosco. Mas é também algo muito difícil de tirar conclusões porque não se sabe mesmo a veracidade dessas ameaças”, concluiu ele.

