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Maioria das mulheres já sofreu assédio em ônibus

Uma pesquisa revelou um dado preocupante: a maioria das mulheres já sofreu assédio em meios de transporte. De acordo com o levantamento, realizado ...

Lidinéia e Carla contaram que já foram vítimas de assédio dentro de ônibus

Última atualização

Uma pesquisa revelou um dado preocupante: a maioria das mulheres já sofreu assédio em meios de transporte. De acordo com o levantamento, realizado pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, em parceria com uma empresa de transporte por aplicativo, 97% das mulheres entrevistadas afirmaram terem sido vítimas de assédio em ônibus, metrô, táxi ou transporte por aplicativo.

A pesquisa ouviu 1.081 brasileiras, das classes A, B, C e D, com mais de 18 anos, de todas as regiões do País, que utilizaram transporte público e transporte por aplicativo antes de fevereiro deste ano, data do início do estudo.

“Acreditávamos que o número era significativo, porém não imaginávamos que a dimensão de resposta seria tão alta. A pesquisa confirma que, infelizmente, o assédio sexual no transporte faz parte da rotina das mulheres brasileiras”, observou Jacira Melo, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão.

Lidinéia  e Carla contaram que já foram vítimas de assédio dentro de ônibus (Foto: Dayana Souza/AT)A professora e tatuadora Carla Désirée, 24 anos, relatou que foi vítima de assédio quando tinha 12 anos. “Estava uniformizada, indo buscar meu irmão na escola, de ônibus, quando um homem parou atrás de mim e não saiu mais. Foi bem difícil porque eu não conseguia falar nada. Ele ficou parado e comecei a sentir que ele estava excitado”, relatou.

No mês passado, a auxiliar administrativo Lidinéia Fortunato, 28, foi importunada quando estava a caminho do trabalho em um ônibus. “Era cedo, o ônibus estava relativamente vazio e um rapaz ficou me encarando e chamando de gostosa, delícia. Ele só parou quando sentaram ao lado dele”, contou.

Já a administradora Jaciane Leite, 29, presenciou um caso de assédio, também em ônibus.
“O homem começou a passar a mão pelas pernas da mulher e beijá-la no rosto. Ela pediu para ele parar, foi então que a coloquei sentada em meu lugar. O homem ainda me xingou por impedir que ele continuasse”, relatou.

De acordo com o advogado criminalista Flávio Fabiano, em casos de importunação sexual, quem comete o crime pode ser preso em flagrante. “São atos com prisão imediata, com pena de um a cinco anos de reclusão”.

De acordo com a psicóloga Karla Cardozo, ansiedade e medo de se relacionar com outras pessoas estão entre os traumas que a vítima de assédio pode ter.

Pesquisa

  • Pesquisa realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com o apoio de uma empresa de transporte de aplicativos, revela que 97% das mulheres já foram vítimas de assédio em meios de transporte no País.
  • Foram entrevistadas 1.081 brasileiras, das classes A, B, C e D, com mais de 18 anos, de todas as regiões do País, que utilizaram transporte público e transporte por aplicativo anteriores à data do início do estudo, em fevereiro deste ano.
  • De acordo com a pesquisa, 71% das mulheres entrevistadas conhecem alguma mulher que já sofreu assédio em espaço público.
  • Segundo o levantamento, para 72% das entrevistadas, o tempo para chegar ao trabalho influencia na decisão de aceitar um emprego ou de permanecer nele. Ainda assim, 46% das entrevistadas não se sentem confiantes para usar meios de transporte sem sofrer assédio sexual.

Como denunciar
A Polícia civil, por meio da delegada Cláudia Dematté, orienta que a mulher que for vítima do crime de importunação sexual, de estupro e demais crimes contra a dignidade sexual procure a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher do município onde ocorreu o fato para registrar o Boletim de Ocorrência.
A denúncia é necessária para que os autores dos fatos sejam investigados e punidos por seus atos.
caso testemunhe cenas de importunação sexual, a pessoa deve se posicionar e auxiliar a vítima, de forma que não coloque em risco a sua segurança pessoal e a dos envolvidos, segundo a delegada.
Por fim, não deixe de acionar a Polícia Militar ou registrar uma ocorrência policial na delegacia mais próxima.
Fonte: Institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, e Divisão Especializada de Atendimento à Mulher.

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