O impasse em torno da inclusão do funcionalismo de estados e municípios na reforma da Previdência rachou os principais partidos da Câmara. Enquanto a maioria dos governadores e prefeitos pressiona aliados no Congresso a endossar a iniciativa, vozes dissonantes justificam sua oposição alegando disputas locais e acusando pressão excessiva e indevida sobre seus mandatos.
O PP fez pesquisa entre seus parlamentares. Esse é o ponto da proposta que mais divide a sigla, praticamente ao meio.
Onde pega – A direção do PP encaminhou questionário a seus deputados e senadores. Ninguém precisava se identificar. Da bancada de 39 deputados, 33 manifestaram contrariedade com mudanças no BPC e na aposentadoria rural – trechos que já são dados como mortos no Parlamento, já que o modelo proposto pelo governo não deve prosperar.
Onde pega 2 – No item que indaga sobre a inclusão de estados e municípios a pergunta era se a aplicação das novas regras de aposentadoria deveria ser submetida às assembleias e câmaras municipais. Catorze dos 39 foram contra.
Assuma – O presidente do DEM, ACM Neto, que rechaça a aplicação automática da reforma nos estados e municípios tornou-se alvo de forte pressão da sigla. Procurado por entusiastas da medida, manteve-se firme. Acha que governadores e prefeitos que quiserem mudar os regimes de aposentadoria precisam dar a cara para o eleitor.
Meu limite – No PSDB, a força que o governador João Doria (SP) está fazendo para manter a aplicação da reforma a estados e municípios fez do relator do texto, Samuel Moreira (PSDB-SP), receptor de reclamações. Deputados acham que Doria passa do ponto nas críticas ao Parlamento.
Corte regional – Mesmo no PSDB há divergência. Quem é do Nordeste, governado em maioria por partidos de esquerda, não quer facilitar a vida de gestores petistas e pessebistas. Já deputados de SP, MT e RS, estados geridos por tucanos, simpatizam com a aplicação automática das regras.
Via rápida – Em campanha pela aplicação nacional da reforma, o presidente da Frente Nacional de Prefeitos, Jonas Donizette (PSB), guarda carta na manga se tudo o mais falhar. Sugeriu ao relator da reforma que a adesão de governadores e prefeitos às novas regras se dê por decreto – sem ação de assembleias ou câmaras.
Me poupe… – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), demonstrou preocupação com o tom das manifestações a favor da reforma da Previdência que estão sendo chamadas por grupos como o “Nas ruas” para julho.
…se poupe – O democrata, um dos fiadores das mudanças na aposentadoria, avisou que não gostaria de ser novamente atacado por partidários de Jair Bolsonaro. Ele ouviu de governistas que a orientação é a de que atos se concentrem na reforma e não transbordem para outros temas. O lembrete de que ninguém controla as ruas veio em seguida.
Tempo da natureza – O Plano Safra, que distribui subsídios a agricultores, pode ser comprometido caso o Congresso atrase a liberação sobre o crédito extraordinário de quase R$ 250 bilhões requerido pela equipe econômica. Se o dinheiro demorar muito a chegar, perde a janela da sazonalidade ideal para o plantio.
Nova carga – A CPI do BNDES vai recorrer da decisão de Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), de vetar o acesso ao celular de Francisco Assis, ex-diretor jurídico da JBS. A ministra entendeu que o sigilo advogado/cliente garante a preservação dos dados.
Nova carga II – Deputados argumentam que Assis não atuava como defensor dos Batistas, tanto que firmou ele próprio uma delação.
Retorno – Partidos de centro e centro-direita preveem alterações no projeto de Bolsonaro que muda o código de trânsito. O PL (ex-PR) quer manter a multa para que não usar cadeirinha de crianças e a exigência de exame toxicológico para motoristas profissionais.
Visita à Folha – Leandro Fonseca, presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), visitou a Folha nessa quarta-feira (5). Estava acompanhado de Isabella Eckstein, gerente de Comunicação Social, e Paulo Henrique Brazão, diretor da FSB.
Tiroteio
“Diminuir a segurança produzirá mortes, mais deficiências e custos em um país despreparado para acolher essas pessoas.”
Da senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP), que ficou tetraplégica após um acidente, sobre Bolsonaro propor mudar a legislação de trânsito.