
“Esse nome já tem uma carga de humor. A plateia pensa: ‘os melhores do mundo, então deve ser bom’. É um marketing (risos)”, explica ao AT2, em tom de brincadeira, Victor Leal.

“A temática funciona como um pano de fundo para falarmos sobre a sociedade, política e de cada cidade que vamos. Mesmo com 24 anos, ela continua se reinventando. Improvisamos muito. Logo, o espetáculo vai se mexendo, é orgânico”, ressalta.
“Somos quase cronistas do momento” – Victor Leal, ator e músico
AT2: Para atualizar a peça, há uma pesquisa sobre a cidade onde estarão?
Victor Leal: Ah, sempre! Tentamos colocar o máximo possível de cada local: uma gíria, fato político, falamos do time da cidade. Isso cria uma empatia com a plateia. Em Vitória, por exemplo, brincávamos com a dificuldade para achar o aeroporto. Sobrevoávamos, sobrevoávamos e descíamos naquela banca de jornal que tinha lá (Risos). Agora, já tem um aeroporto mais digno. A plateia adorava (Risos).
AT2: Então, também dá para rir dos dramas?
Victor Leal: Claro! O povo se identifica, né? Somos quase cronistas do momento. Falamos sobre o que as pessoas passam, da realidade delas. Apesar de ser um peça bíblica, vamos falar de Bolsonaro, de Lula, da política local.
AT2: Quando criaram o espetáculo, tiveram algum tipo de preocupação sobre a aceitação, já que tem a temática bíblica?
Victor Leal: Sempre estivemos muito seguros, apesar de ter Jesus na peça. Não tratamos de uma maneira desrespeitosa. Fizemos o filme agora, com lançamento previsto para dezembro. É nosso primeiro longa-metragem: “Hermanoteu, O Filme”. Não há o interesse em chocar por chocar.

Victor Leal: Não exatamente. Tem algumas cenas mais clássicas da peça, mas é uma história bem diferente da contada no teatro. Filmamos no Atacama, Chile, e no Rio de Janeiro. Recebemos três convidados muito especiais: Milton Gonçalves, Marcos Caruso e Jonas Bloch. Além do Chico Anysio, que já é a voz de Deus no nosso espetáculo.
AT2: Quando o Chico “entrou” nessa?
Victor Leal: Em 2000, quando remontamos a peça. Somos amigos do Bruno Mazzeo, filho do Chico, e sugerimos. O Chico Anysio foi supersimpático: foi lá para o estúdio e deu um monte de ideia boa. É muito legal saber que, enquanto o Hermanoteu estiver em cartaz, o Chico seguirá vivo nos palcos do Brasil.
AT2: O que só vem provar que a comédia não envelhece?
Victor Leal: Sim. Ela se reinventa, atualiza.
AT2: E há muitas formas de fazer rir, inclusive?
Victor Leal: Sim, sim. Somos de uma época – ano que vem completamos 25 anos de carreira – que não tinha internet. Tudo era muito mais difícil. Já moramos fora do eixo cultural São Paulo-Rio de Janeiro, então, para mostrar nosso trabalho, tínhamos que pegar um ônibus e fazer umas temporadas nesses locais. Hoje é muito mais fácil, com a internet.
AT2: Provando que Brasília vai além das bandas de pop rock…
Victor Leal: E mais que isso! Não é só corrupção, política, governo. A gente sabe que não é uma cidade muito bem vista no restante do País, justamente por associar à política, ao funcionalismo público. E não é isso! Brasília é a terceira maior cidade do País, tem uma vida cultural e social muito intensa.
Tem uma vida que passa à parte do Congresso, Presidência. Então, levar a comédia para todo o Brasil também é uma forma de aumentar a autoestima do brasiliense, sabe? E a cidade que viu a gente crescer nesses quase 25 anos também se acha até um pouco “dona” do grupo. A gente fala que, em Brasília, não temos plateia, temos torcida. O pessoal vibra muito com a gente.
SERVIÇO:
“Hermanoteu na Terra de Godah”
O quê: Comédia com a companhia Os Melhores do Mundo
Quando: Próximo sábado, às 19h e 21h e domingo, às 20h
Onde: No Teatro da Ufes. Av. Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras, Vitória
Ingressos (meia): Para sábado, Térreo a R$ 45,00 e Mezanino a R$ 25,00. Para domingo, R$ 50,00 para todos os setores
Venda: tudus.com.br e na bilheteria, de terça a sexta, das 15h às 20h, e nos dias das sessões, das 15h até a hora do espetáculo
Inf.: 3376-0933
Clas.: 14 anos