Acostumadas a remar no “quintal de casa”, na Baía de Vitória, as jovens Thaynara Maria Machado, de 14 anos, e Malena Alves Santana, de 15, não poderiam imaginar uma estreia tão boa em uma competição nacional de remo. Mas o esforço nos treinos transformou a primeira vez delas em ouro.

Na mesma prova, o dois-sem feminino da categoria júnior B, elas conquistaram a medalha de prata no Troféu Brasil, no sábado (1), e fecharam a participação com medalha de ouro no Brasileiro, no dia seguinte.
“Foi muito bom. A gente ficou sabendo de última hora que iria remar o dois-sem, mas conseguimos treinar muito para ter aquela vitória. Então foi ótimo esses resultados”, comenta Malena, lembrando que a dupla é especialista na prova do double skiff.
“Quando a gente recebeu a notícia, foi a melhor coisa. A gente remou muito, treinou, fez muito esforço e deu resultado”, completou Thaynara.
A caçula do barco cabralista, que começou a remar há dois anos, confessa que na hora de alinhar para a regata veio o frio na barriga. Normal para duas promessas que até então só tinham disputado regatas internas do clube e do Campeonato Estadual de remo.
Mas nem o fato de serem estreantes impediu que elas sonhassem alto. Malena admite que no começo o medo tomou conta, mas que o objetivo das duas era bem definido: voltar para casa com um título.
“Na real, a gente não sabia muito como era. Elas (rivais) davam medo na gente, vamos dizer assim… Porque elas treinam muito mais que a gente. Só que estávamos com a consciência tranquila, porque tínhamos treinado e o nosso barco estava bom e a gente iria para ganhar”, frisou.
E ganharam, não só duas medalhas importantes no início de carreira, mas motivação para seguirem em diante com os sonhos. “Ir para a seleção brasileira, ser uma remadora profissional, são sonhos que tenho e nos anima a buscar isso”, afirma Thaynara.
Das quadras para a água
Apenas 15 anos e 1,91m de altura. O capixaba Bryan Bravin Costa poderia muito bem imaginar um futuro no basquete, esporte que ele pratica há um ano. Mas é o remo que faz o jovem morador de Bento Ferreira, em Vitória, sonhar com uma carreira de sucesso no esporte.

Todo dia pela manhã, Bryan cai na água para seguir aprimorando suas habilidades no remo. Mas não abre mão de marcar presença no garrafão, como pivô, disputando até campeonatos intermunicipais de basquete. Mas por que a decisão por focar no remo já está tomada? Essa é uma resposta para a qual até ele busca a resposta.
“Na verdade eu não sei (risos). Eu jogo bem o basquete, acho que eu remo bem também. Jogo basquete vai fazer um ano, mas eu realmente prefiro o remo por estar há mais tempo, a pegada é outra”, tenta explicar o jovem.
Competindo pela primeira vez no skiff, Bryan conseguiu ficar entre os três melhores numa competição que reuniu cerca de 15 barcos. Ficou satisfeito com o desempenho na prova, em que depende apenas do próprio talento e esforço. E assim, se empolga com a possibilidade de ser mais uma promessa formada na garagem cabralista.
“Geralmente quando a gente fala em remo, os clubes mais vistos são Flamengo, Vasco, Botafogo. Mas sempre que tem o Álvares competindo, nós conseguimos alguma coisa. Temos meninos (Yago e Warley) no Flamengo, que foram vice-campeões sul-americanos, campeões brasileiros. Um dia foi eles, um dia pode ser eu. É seguir treinando”, sonha o atleta.