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Lutador do UFC, Gabriel Silva revela que pensou em desistir do MMA

Dois anos. Esse foi o período que Gabriel Silva, o “Gabito”, ficou afastado do octógono por conta de duas lesões no ombro esquerdo. Um tempo muito ...

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Dois anos. Esse foi o período que Gabriel Silva, o “Gabito”, ficou afastado do octógono por conta de duas lesões no ombro esquerdo. Um tempo muito grande de espera para uma promessa do MMA, tanto que fez o capixaba pensar em deixar o esporte.

Mas o retorno do irmão de Erick Silva foi tão bom que reservou um novo capítulo. Após a vitória sobre Jake Heffernan, no LFA 63, em março, Gabito recebeu um convite para fazer parte do UFC vindo do próprio presidente da organização, Dana White.

Gabriel Silva vai estrear no UFC no dia 20 de julho, contra o americano Ray Borg (Foto: Reprodução/Instagram @gabrielsilvamma)

Um sonho que se tornará realidade no dia 20 de julho. Gabriel foi escalado para encarar Ray Borg, pelo peso-galo (até 61kg), no card do UFC San Antonio, nos Estados Unidos. Um prêmio pela persistência do lutador para voltar a fazer aquilo que mais gosta.

“Quando você não luta, tem lesões, bate aquele desespero, de estar perdendo tempo e ficar para trás. Passam todas essas incertezas e até em certos momentos, comecei a pensar em desistir. Mas eu sempre persisti nos meus objetivos, sabia que era só uma fase ruim e que ia voltar com tudo”, revelou.

E na volta por cima, o atleta de 24 anos garantiu à reportagem do Tribuna Online que sonha em fazer história e espera ser reconhecido pelos méritos dele mesmo no octógono.

Tribuna Online — Quando e como recebeu a notícia da estreia no UFC?
Gabriel Silva —
Cara, semana passada ou retrasada — não me lembro —, eu estava treinando boxe aqui em casa, aí o Ed Soares, que trabalha com o meu empresário, Rafael Feijão, me ligou e falou que eles tinham garantido a luta com o Ray Borg, perguntaram o que eu achava. Eu achei ótimo! Quando perguntam ao lutador quando ele quer lutar, se deixar até amanhã a gente luta.

Já assinou o contrato?
Depois que recebi a notícia, uns dias depois já veio o contrato da luta, as coisas foram ficando mais formalizadas. Inicialmente serão quatro lutas. É um contrato inicial que praticamente todos os atletas fecham com o UFC. Tudo vai depender do meu bom desempenho. O UFC é um evento de nível muito alto, eu tenho quatro lutas, mas tenho que estar bem em todas elas, desde a primeira. Tenho que chegar mostrando para que eu vim. Eu pretendo não estar ali por estar, quero fazer uma história bonita.

Já conhecia o Ray Borg?
Já o conhecia das lutas do UFC. É um cara que tem nome expressivo, já disputou o cinturão da categoria peso-mosca. Perdeu para o Demetrious Johnson numa luta de cinco rounds, luta dura contra um dos melhores lutadores da atualidade. Depois que fechou (a luta do dia 20), vimos algumas lutas, já sabemos o que esperar. É um lutador muito duro, bom na luta agarrada. Sabemos que quem tiver melhor condicionamento físico, vai se dar bem. Ele faz esse jogo, é bastante arisco, toda hora tenta botar pra baixo, difícil cansar. Mas confio na minha preparação, tenho certeza que vou vir forte.

O que representa encarar um ex-desafiante ao título?
Isso me motiva mais ainda, chegar contra um cara duríssimo quer dizer que me coloco bem. Ele vai ser o primeiro passo para o meu objetivo. Quando a gente está no UFC, não se espera luta fácil. Sabia que viria uma luta difícil e fico feliz que veio uma luta dessa, contra um cara de nome. Vou para mostrar que estou pronto para estar ali e me firmar na categoria.

E quais são esses objetivos?
Vou mentir se não falar que tenho o objetivo de ser campeão. Todo lutador sonha com isso. Não posso afirmar quando vai acontecer, vai depender muito do meu desempenho. Claro que vou deixar meu sangue e suor no octógono, fazer de tudo para chegar o mais rápido possível. Tenho certeza que vai ser uma caminhada difícil, tem vários atletas que estão há bastante tempo atrás desse objetivo e eu vou estar ali também.

Você sofreu com as lesões no ombro nos últimos dois anos. A chegada ao UFC é um prêmio pela persistência?
Com certeza! Na vida de um atleta, você tem que estar trabalhando, lutando, assim como o jogador de futebol tem que estar jogando. Quando você não luta, tem lesões, bate aquele certo desespero, de estar perdendo tempo e ficar para trás. Passam todas essas incertezas e até em certos momentos, comecei a pensar até em desistir. Você fica um tempo parado, volta achando que vai lutar e vem outra cirurgia, isso atrapalha a mente, interfere muito, vem a família botando pressão. Mas eu sempre persisti nos meus objetivos, sabia que era só uma fase ruim e que ia voltar com tudo.  

Gabriel já fez parte do camp de preparação em lutas do irmão, Erick Silva  (Foto: Reprodução/Instagram @gabrielsilvamma)Espera desvincular a associação que fazem ao seu irmão?
É uma coisa que não tem como fugir, ele (Erick) é realmente o meu irmão. Não sinto desconforto nem nada, claro que seria melhor se começassem a falar o meu nome, Gabriel Silva. Claro que para chegar até aqui precisei de muita gente e ele foi quem mais me ajudou. Sempre vou ter essa dívida com ele, por ter me encaminhado. Eu devo tudo a ele, mas também não posso deixar de frisar que quando você sobe no octógono, é só você. Com certeza são por méritos meus que assinei com o UFC e agora vou fazer a minha estreia na organização. Quero ser reconhecido pelos meus próprios méritos.

Quando ele estreou no UFC, em 2011, se imaginava estar nessa posição?
Eu tinha uns 16 anos, lembro que quando ele estreou, eu estava começando a lutar aí no Espírito Santo e tinha isso, de ser irmão do Erick Silva. Mas só quando me mudei pro Rio mesmo, que fiz a estreia no Jungle Fight, que eu comecei a ter essa perspectiva, visualizar isso. Eu me mudei para ser lutador. A partir desse momento, ver o meu irmão no UFC, eu esperava estar ali um dia, por saber que é o maior evento do mundo, onde todos querem chegar.

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