O Espírito Santo bateu um novo recorde de inadimplência, com 723.407 devedores com nome no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), até agosto deste ano. E, em julho, também de 2019, o número era de 719.536, ou seja, são 3.871 novos nomes na lista, conforme os dados do SPC.
Os atrasos nos pagamentos são constantes também nos financiamentos imobiliários — situação provocada principalmente por resquícios da crise econômica —, e, assim, o número de imóveis tomados por bancos no Estado é de 300 por mês. Foram cerca de 1.800 nos primeiros seis meses deste ano.
Em todo o Brasil, foram 90 mil imóveis retomados no primeiro semestre, conforme levantamento da ReSale, empresa especializada na revenda desses imóveis.
Especialistas explicam que o número de imóveis sendo retomados por falta de pagamento das prestações é reflexo do atual momento em que ainda se encontra o mercado.
Para o membro da comissão de direito imobiliário da Ordem dos Advogados do Brasil do Estado (OAB-ES), advogado Diovano Rosetti, nos últimos três anos a situação do mercado imobiliário, de fato, se complicou.
“Estamos em uma fase ruim. A união de um mercado muito sensível com o arrocho financeiro fez com que muitos deixassem de pagar suas dívidas e a casa própria está entre elas”.
Para Paulo Baraona, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado (Sinduscon-ES), o momento é bastante preocupante.
“Esperamos que os bancos negociem essas dívidas antes de chegar a esse ponto, pois o número elevado de imóveis retomados vai se tornar um problema no mercado que já está sensível”.
De acordo com Sandro Carlesso, presidente da Associação Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), mesmo com a inadimplência, Espírito Santo é o estado que está melhor no Brasil em relação às contas públicas.
“O mercado imobiliário é bem conservador. Não fizemos lançamentos desenfreadamente e estudamos bem o mercado antes de fazer um novo investimento. Não acredito que esse número seja alto para afetar o mercado como um todo”, afirmou.
