Na primeira sessão da Assembleia após ter oferecido R$ 10 mil para quem matar o assassino de uma operadora de telemarketing, o deputado Capitão Assumção (PSL) mirou sua artilharia para a seccional capixaba da Ordem dos Advogados (OAB-ES) e o Psol.
O deputado, que não participou da sessão por estar no enterro do policial militar da reserva Dilson Piantavinha, assassinado por dois assaltantes, domingo (15), no bairro Santos Dumnont, em Via Velha, disse que ninguém da Ordem e do partido de esquerda estavam presentes no enterro. Em sua conta no Instagram, as críticas do parlamentar foram ainda mais pesadas.
“Mais um homem de bem perde a vida para os ratos. A cambada dos direitos humanos da OAB e a facção criminosa do Psol não deram as caras no sepultamento. Vale a máxima: quem protege bandido, bandido é!!!! (sic)”, escreveu.
O motivo das críticas de Assumção foi por conta da OAB ter chamado de “retrocesso” a declaração em plenário de Assumção, na quarta-feira passada.
Como adiantou A Tribuna na edição de terça-feira (16), o presidente da OAB-ES, José Carlos Rizk, também protocolou na Assembleia pedido para analisar processo aberto na Corregedoria contra Assumção, após provocação da Procuradoria da Casa. A OAB quer saber se o que foi pedido na ação é suficiente.
Já o Psol protocolou, na terça, no Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES), notícia-crime contra o deputado.
O deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) saiu em defesa de Assumção por conta do pedido da OAB para a Assembleia: “A OAB tem de cuidar da casa dela”, criticou.
Durante a sessão, os deputados evitaram tocar no assunto “Assumção” em seus dicursos. Entretanto, o deputado Torino Marques (PSL) confirmou, por sua vez, que foi consultado pelo corregedor-geral, Hudson Leal (Progressistas), para ser o relator do processo, mas que nada ainda foi definido. Hudson não quis comentar.
“Bandido é quem, como ele, trai a Constituição”, rebate presidente do Psol
O presidente do Psol-ES, André Moreira, disse que a morte do policial decorre de ações como as de Assumção, “pois defende a barbárie”.
“A morte do policial que ocorreu nesse fim de semana decorre de ações como as do Capitão Assumção, pois defende a barbárie e, inclusive, a livre circulação de armas de fogo para a população, que sempre vão parar nas mãos do crime. São essas as armas que matam a juventude negra e os trabalhadores e trabalhadoras que vivem em bairros populares, mataram a Mayara Oliveira Freitas e também mataram o policial que ele diz defender.”
E prossegue: “Apesar de seu discurso, o Capitão Assumção não esteve nos velórios dos mais de 200 mortos durante a greve da PM, em fevereiro de 2017. As mãos de quem faz apologia ao crime e estimula a violência estão cheias de sangue, pois para que ele, Assumção, possa ganhar seu gordo salário de deputado, os trabalhadores, inclusive policiais militares que o elegeram, estão vivendo na linha da barbárie, com seus salários defasados, sendo mortos na guerra diária que sustenta o Capitão Assumção e outros políticos da sua espécie.”
E conclui: “Bandido é quem, como ele, trai o juramento feito quando assumiu defender a Constituição e a Lei do Estado de Direito, para incitar a prática de crime. Por fim, é preciso registrar que a manifestação criminosa do Capitão Assumção, portando fardamento policial, incita, em última análise, a criação de milícias no ES. Assumção é uma vergonha para sua corporação, para o Legislativo e para o povo capixaba”.
Já o presidente da OAB-ES, José Carlos Rizk, não quis comentar as declarações de Enivaldo, nem de Assumção.
