Uma semana após perder o filho de dez anos, a fotógrafa Cida Rocha declarou que agora quer ajudar as famílias a detectarem a depressão que cerca não somente as crianças e jovens, mas também os adultos.
Moradora de Guarapari, relata que o menino apresentou alguns sinais de depressão, mas ela só percebeu após sua morte.
Felipe Rocha era estudante do 5º ano do ensino fundamental, e a mãe conta que se tratava de uma criança muito alegre, prestativa e que adorava brincar na rua com os amigos.
“Nunca imaginaria que o meu filho iria se matar por causa dessa doença. Ele foi vítima de uma doença chamada depressão silenciosa. A depressão levou meu filho de 10 anos. A gente diz que a depressão fala, porque aparentemente emagrece, a pessoa fica triste, cabisbaixa, diz que vai se matar. Na depressão silenciosa, nem ela mesmo sabe que se trata de uma doença”, comentou a mãe.
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Veja a entrevista exclusiva que ela concedeu ao Jornal A Tribuna.
A Tribuna –De onde vem a força para falar sobre o que aconteceu?
Cida Rocha – Quero usar a força do meu filho, que era a virtude que ele tinha, de gostar de ajudar. Saber que, para muitas pessoas, a depressão passa despercebida é muito perigoso. Nas minhas redes sociais, Cida Fotógrafa, estou conversando com as pessoas sobre essa doença do século.
Devolvi meu único filho para, no futuro, conseguir entender que, através da vida dele, muitas outras serão salvas.
As pessoas não entendem a depressão como doença?
As pessoas buscam encontrar os culpados, mas não existe culpado. Ninguém quer ser julgado. O câncer não tem culpado. A depressão também não tem.
Te questionam sobre a morte do seu filho?
Foram os 10 anos mais felizes da minha vida. A dor é imensurável, de não ver, sentir o meu filho. Eu consigo ser forte e falar sobre o problema que precisa ser resolvido, porque o Felipe me dá forças para isso. A intenção dele não era se matar. Ele chegou com vida ao hospital, mas infelizmente não aguentou. Ele se despediu de mim.
Como era a relação de vocês com ele?
Se fosse uma criança que não tivesse amor da mãe, da família, que não tivesse tudo o que ele queria… Materialmente, os lápis de cor eram dos melhores porque ele gostava de pintar. As viagens que ele pedia, nós nos organizamos para fazer.
Ele sonhava em viajar de avião, e fomos. Não adiamos sonhos, realizávamos. Se não podia ser na hora que ele queria, ele compreendia, e depois fazíamos. Além do material, vivíamos ao lado dele todos os dias. Ele dormia comigo, trabalhava comigo. Estava sempre brincando na rua com os amigos e transbordava carinho.
O que hoje fala para as mães que estão te procurando?
Observar sinais. Por mais que seja uma doença silenciosa, os sinais são minuciosos. Uma pessoa comum não vai conseguir distinguir esses sinais, mas existem os profissionais preparados para isso.
O pai e a mãe precisam entender que a depressão não é frescura, e sim uma doença. Meu filho partiu. Meu filho foi o estopim para que isso seja reconhecido. Eu falo hoje que temos um problema gigantesco, uma doença do século, e o único antídoto para essa doença é o próprio ser humano.
Depressão não é frescura. Vão acontecer casos que vão distorcer as informações. O que leva ao suicídio é a falta de vontade de viver. Então, a falta de vontade de viver é o que precisamos tratar.
Meu filho pode ter me dado milhares de sinais, mas eu não enxerguei como mãe.
