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Cuidado para o treino não prejudicar a saúde

Já faz tempo que academia deixou de ser lugar apenas de atleta para se tornar um espaço democrático, aonde pessoas de diferentes perfis e de diversas ...

Marcos Robson Alves é ortopedista, especialista em ombro e cotovelo.

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Já faz tempo que academia deixou de ser lugar apenas de atleta para se tornar um espaço democrático, aonde pessoas de diferentes perfis e de diversas idades vão com objetivos variados. Alguns querem perder peso, outros vão para manter a forma, outros perseguem um ideal de corpo perfeito…

Todos esses são objetivos louváveis, afinal, se existe uma recomendação na medicina que não cai em desuso é a prática de atividade física como forma de manter-se saudável. Faz bem para as articulações, para a saúde cardiovascular e também para a saúde da mente.

O que deve ser levado em consideração, entretanto, é que é preciso ficar atento quanto à forma de treinar e à intensidade dos treinos, afinal, há outra recomendação, que não vale só para a medicina, e que também não sai de moda: todo excesso é prejudicial.

Praticar exercício de forma errada e/ou além da capacidade física pode provocar um efeito contrário ao esperado: ao invés de resultar em mais saúde, pode prejudicá-la. Isso porque cada pessoa tem suas limitações, seus hábitos, seu condicionamento. Alguém que nunca treinou não tem estrutura física, por exemplo, para completar uma série muito pesada, a menos que queira se afastar novamente dos treinos para se recuperar das lesões decorrentes disso.

Além de ser importante uma avaliação física antes de iniciar a rotina de treinos, o acompanhamento por um profissional capacitado faz toda diferença, afinal, mesmo que não haja uma sobrecarga, um exercício feito de forma incorreta também provoca danos.

Os exercícios de musculação aumentam o tônus muscular, proporcionam mais força para as atividades diárias, favorecem o equilíbrio e ajudam a prevenir a osteoporose e a fortalecer a coluna vertebral, entre outros benefícios. Se praticados sem orientação, entretanto, podem provocar lesões.

Dentre as mais comuns, estão as lesões nos joelhos, caso os movimentos não sejam bem executados; na lombar, se houver sobrecarga dos discos intervertebrais, podendo levar à ocorrência de hérnias de disco, e nos ombros, por excesso de peso e movimentos malfeitos. As lesões musculares também podem acontecer.

É preciso ficar atento a pequenos detalhes. Na rotina das academias é comum, por exemplo, o revezamento de duas ou mais pessoas em um mesmo aparelho. Nada de errado nisso, se a cada troca for feito o ajuste do mesmo para adaptá-lo ao usuário. O mesmo cuidado deve ser tomado por quem pratica spinning: se não for feito o ajuste ideal entre o banco e o guidão da bicicleta, podem surgir dores nas costas e nos joelhos.

Exercícios aeróbicos também precisam ser feitos com cautela. Por mais que não haja o risco de sobrecarga ou desajuste dos aparelhos, o descompasso dos movimentos pode ser bastante prejudicial. A maior parte das lesões ocorre nos membros inferiores, como na coxa, na panturrilha e no tendão do calcanhar.

Esses são apenas alguns exemplos de exercícios e das respectivas lesões que podem resultar da prática inadequada. A cada dia, surgem novas modalidades de treino, com cuidados específicos que devem ser tomados em cada uma delas. As orientações que valem para todos, em qualquer que seja a atividade física escolhida, é respeitar os limites do corpo, buscar orientação de um profissional habilitado e, ao menor sinal de lesão, buscar ajuda de um especialista.

Marcos Robson Alves é ortopedista, especialista em ombro e cotovelo.

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