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“A gente precisa abrir mão do que a gente gosta pela vida”, diz estudante esfaqueado em ônibus

O estudante de 19 anos que estava dentro do ônibus durante o assalto, teve o pescoço e a ponta do dedo cortados pela faca que um dos assaltantes usou ...

Estudante foi esfaqueado dentro do ônibus

Última atualização

Estudante foi esfaqueado dentro do ônibus (Foto: Roberta Bourguignon / AT)

O estudante de 19 anos que estava dentro do ônibus durante o assalto, teve o pescoço e a ponta do dedo cortados pela faca que um dos assaltantes usou para abordar os passageiros do ônibus 669, que saiu do Terminal de Vila Velha às 21h e seguia para o bairro Village do Sol, em Guarapari.

A Tribuna: Como foi a sua abordagem?
Estudante: Eu estava cochilando, quando o ônibus parou. Estávamos em Interlagos, próximo a Fazenda Camping, onde um dos assaltantes deu sinal. Quando o ônibus parou e abriu a porta, três deles desceram correndo, e um colocou a faca no meu pescoço e a outra mão foi direto no meu celular. Eu abri os olhos com ele gritando ‘passa, passa, passa o celular’. Eu apertei o celular.

A Tribuna: Você reagiu?
Estudante: Eu tive uma reação imediata, acordei no susto, empurrei ele, e ele deslizou a faca no meu pescoço, fazendo um corte profundo, mas não pegou nenhuma veia.

A Tribuna: Em que momento atingiu seu dedo também?
Estudante: Depois que ele passou a faca no pescoço, ele tentou me dar umas facadas por baixo, e eu tentei me defender, quando ele acertou meu dedo.

A Tribuna: Depois disso esse assaltante também fugiu?
Estudante: Sim. Ele desceu correndo também e fugiu junto com os outros três que estavam do lado de fora já.

A Tribuna: Foi preciso dar ponto?
Estudante: O médico disse que não foi tão profundo, e fez um curativo. Se fosse mais fundo, poderia ter sido pior. Se pegasse a veia arterial eu morreria. Eu morreria se tivesse sido uns dois centímetros mais fundo.

A Tribuna: Como fica o sentimento para pegar ônibus agora?
Estudante: Agora fica complicado. A gente fica com medo e inseguro, mas é vida que segue. A gente nunca acha que vai acontecer com a gente, mas infelizmente está mais perto do que imaginamos.

A Tribuna: E fica alguma lição por causa dessa insegurança?
Estudante: É melhor não andar com fone de ouvido, mostrando que tem celular. A gente precisa abrir mão do que a gente gosta, pela vida. Andar mais atentamente. Eu estava sonolento, e no susto acebei tendo uma reação. Talvez não tivesse acontecido nessa maneira, se eu estivesse mais atento.

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