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Vida do mensageiro da paz nos cinemas

Ainda criança, abalado pela morte de um de seus irmãos, ele perdeu o movimento das pernas. Depois de muitas consultas médicas sem descobrir o que ...

Ghilherme Lobo interpreta Divaldo Franco em sua juventude, quando foi dado como louco e pensou em se jogar do Elevador Lacerda, em Salvador

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Ainda criança, abalado pela morte de um de seus irmãos, ele perdeu o movimento das pernas. Depois de muitas consultas médicas sem descobrir o que acontecia com suas pernas, uma prima sugeriu uma visita a uma médium. Divaldo Pereira Franco, então, ficou livre da paralisia. E mergulhou no estudo do Espiritismo.

Comparado hoje àquele que chama de mestre, Chico Xavier, o baiano de 92 anos terá a sua história contada nos cinemas a partir desta quinta-feira (12) em “Divaldo: Mensageiro da Paz”, de Clovis Mello.

Três atores vivem Divaldo no filme: João Bravo é o menino que sofre preconceito ao se descobrir médium; Ghilherme Lobo, o jovem que é dado como louco e pensa em se jogar do Elevador Lacerda; e Bruno Garcia é o adulto, o professor que criou uma pequena casa para acolher crianças carentes, sendo que adotou mais de 600. Hoje, o local, a Mansão do Caminho, atende 3 mil crianças por dia.

Ainda na história, Joanna de Ângelis (Regiane Alves), a mentora espiritual de Divaldo, e o Máscara de Ferro ou o espírito obsessor (Marcos Veras) que atormentou o médium durante anos.

“Quem não vive para servir ainda não aprendeu a viver”, Divaldo Franco professor e escritor

Ghilherme Lobo interpreta  Divaldo Franco em sua juventude, quando foi dado como louco e pensou em se jogar do Elevador Lacerda, em Salvador (Foto: Divulgação)

Como é se ver retratado na tela por três atores diferentes? Ficou emocionado com alguma cena?

Jamais pensei em tal possibilidade, porque nunca aspirei a nada, além do compromisso de servir mediante a vivência para saudável divulgação do Espiritismo. Acompanhei o desempenho dos três atores reflexionando se terei feito o que devia. Muito comovido, revivi as cenas com o Espírito Jaguarassu, o indiozinho que me era companheiro na infância.

Qual a importância do filme para a divulgação do Espiritismo e da obra social Mansão do Caminho?

Considero de alta relevância a apresentação do filme, retratando um pouco as minhas experiências espiritistas, como contribuição divulgadora da Doutrina Espírita. O Espiritismo é, sem dúvida, o Consolador que Jesus prometeu, porque lhe repete as lições, ora esquecidas, e traz informações científicas do conhecimento contemporâneo.

Divulgando a Mansão do Caminho, estimula-se a edificação do bem.

São mais de sete décadas dedicadas ao Espiritismo, à filantropia. Qual foi o maior aprendizado?

O meu maior aprendizado durante todo este período passado é confirmar que o sentido da vida se encontra na ciência e na arte de servir, conforme o conceito enunciado por Jesus a respeito do amor ao próximo como a si mesmo, a fim de alcançar-se o amor a Deus. Quem não vive para servir ainda não aprendeu a viver.

“Isso mexeu comigo, fisicamente falando”, diz o ator Ghilherme Lobo

Divaldo Franco, 92, é comparado a Chico Xavier,  que o chamava de “Trator de Deus (Foto: Divulgação)

Qual foi o maior desafio para compor o personagem?

A preparação do personagem foi a parte mais desafiadora deste trabalho, porque exigiu a adaptação a uma prosódia que não me é comum, a do baiano. Nós, atores do Sudeste, temos uma referência de sotaque das outras partes do País muito folclórica, exagerada.

Além disso, o contato com tanta coisa que já me foi comum no que diz respeito à espiritualidade. Eu venho de uma família espírita, mas nunca participei ativamente desse cotidiano. Retomar o contato com isso e aprofundar, ainda mais tendo uma figura como Divaldo, foi intenso. Houve noites sem dormir, noites de muito sono. Isso mexeu comigo, fisicamente falando.

Fala um pouco de Divaldo.

Vou falar do trabalho social dele, que não pode ser relativizado. Esse trabalho que ele tem em Salvador inspira outros, tanto no Brasil quanto no exterior.

O fato de ele ter fundado anos atrás, do próprio punho, junto com outras pessoas, uma instituição que atende 3 mil pessoas por dia, que já fez o parto natural de mais de 4 mil crianças, que conta com educação, alimentação, que faz um trabalho que o próprio governo não faz, já justifica que se conte a história dele. E ele faz, gratuitamente para jovens, pais e mães. No meu caso, há o bônus de ter uma congruência com o que acredito em termos espirituais.

Como foi trabalhar com Clovis Mello e equipe?

Maravilhoso. Houve uma troca, cumplicidade. Todo mundo mirando na lua para, se errar, acertar pelo menos uma estrela.
 

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